terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Shall we dance?

Electricity
(by Elton John and Lee Hall)
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I can't really explain it, I haven't got the words
It's a feeling that you can't control
I suppose it's like forgetting, losing who you are
And at the same time something makes you whole
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It's like that there's a music, playing in your ear
And I'm listening, and I'm listening, and then I disappear
And then I feel a change, like a fire deep inside
Something bursting me wide open, impossible to hide
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And suddenly I'm flying, flying like a bird
Like electricity, electricity
Sparks inside of me, and I'm free, I'm free
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It's a bit like being angry; it's a bit like being scared
Confused and all mixed up and mad as hell
It's like when you've been crying
And you're empty and you're full
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I don't know what it is, it's hard to tell
It's like that there's some music, playing in your ear
But the music is impossible, impossible to hear
But then I feel it move me
Like a burning deep inside
Something bursting me wide open impossible to hide
.
And suddenly I'm flying
Flying like a bird
Like electricity, electricity
Sparks inside of me
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And I'm free, I'm free
Electricity sparks inside of me
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And I'm free, I'm free
Oh, I'm free
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Infelizmente, não consegui postar nenhum dos vídeos com Elton John ao piano.
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Este post é dedicado a todos aqueles que dançam ou já dançaram balé, dança de salão, dança moderna ou algo assim na vida.
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Feliz 2009!
Que seja um ano de muito prazer e alegria!
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Balanço de Ano: Parte I

Eu coloquei Parte I, mas não estou bem certa se haverá uma outra. Talvez eu fique um bom período sem ânimo para escrever nos próximos tempos, dependendo do que acontecer.
Tenho pensado em como definir este ano de 2008 na minha vida e acho que vai ficar marcado como um ano de encerramento de ciclos. Sim, ciclos no plural. Não somente com a morte de meu pai, mas acho que muito em função dela, trechos inteiros da minha vida foram encerrados junto com sua partida. Hábitos, formas de perceber as coisas e de me relacionar com o mundo, forma de sentir e de me envolver e acho que essas mudanças vieram para melhorar, por incrível que pareça. É o tal do ditado aquele: Deus fecha uma porta, mas abre sempre uma janela.
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PS.: em verde porque é a cor da esperança.
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Reflexões sobre a cidade

OBS.: o texto que segue é cheio de caraminholas pessoais que estão me incomodando, então não percam seu tempo.


Ainda sobre o conto que escrevi abaixo, alguns meses atrás minha irmã começou a me dizer coisas do tipo: Ah, o centro (de São Leopoldo) tá muito perigoso! Chega 6 horas (da tarde) fica tudo deserto e tal...

Eu, como só vinha zanzando por lá em horário comercial, fiquei um pouco intrigada com aquilo, achando meio exagerado o comentário dela e fui conferir o que ela vinha dizendo.

E não é que isto está realmente acontecendo?! Agora não tanto porque é verão e época de comércio intenso, mas o ambiente se modificou mesmo, o que já não era exatamente novo para mim (que vejo lojas tradicionais fechando desde os anos oitenta), mas criando um clima de cidade deserta que antes, mesmo de madrugada, não havia.

Minha irmã é bem mais nova que eu, não tendo conhecido tanto da história da cidade quanto eu conheci, e tentando entender a extensão do comentário dela, me dei conta do motivo, que talvez seja óbvio para quem está lendo isto, mas que, para mim, não era até pouco tempo atrás: quase todas as ruas do entorno da Rua Grande de São Leopoldo foram transformadas em ruas de comércio, com as fachadas das casas reformadas e ampliadas até a calçada, para serem alugadas para lojinhas e pequenos estabelecimentos. E aí, claro, né?! chega o fim do horário de expediente, todo mundo baixa as cortinas de ferro e fica aquele silêncio de concreto e aço onde antes havia jardins floridos e varandas, com pessoas circulando e tomando chimarrão, com suas janelas abertas e iluminadas.

Hoje em dia, só pode dar medo mesmo!

Não sei muito bem o que pensar disso, porque a gente fica dividido entre o que a cidade era e o que ela está se transformando, e que é um processo de mudanças inevitável, se pensarmos no processo análogo de desenvolvimento dos demais centros urbanos (e aí eu entendo um pouco o lado dos descendentes de alemães quando ficam criticando a descaracterização da cidade e tal, apesar de São Leopoldo já ter, desde a década de 1960, um contigente crescente de não-alemães que foram migrando para os centros urbanos, principalmente após o crescimento das zonas industriais, que durante quatro décadas caracterizaram fortemente a economia local).

Um pequeno parênteses a respeito: tempos atrás eu fiz um levantamento, por curiosidade, numa turma leopoldense em que eu dava aula e do total, apenas dois ou três tinham sobrenome alemão - os demais alunos da turma tinham origens bem diversas e realmente, suas famílias tinham vindo para a região no período que se seguiu à década de 1960, percurso que também se deu com a minha família, e por motivos semelhantes.

Em São Leopoldo, acho que deveria haver um limite imposto por lei para a descaracterização da arquitetura do centro, um que permitisse o desenvolvimento do comércio sem alterar tanto (leia-se padronizar) os prédios locais. Talvez até já haja algo no Plano Diretor da cidade, mas não parece estar vigorando.

Por outro lado, eu fico pensando na história do desenvolvimento de Porto Alegre, minha cidade do coração e por opção. Se pegarmos a história dela, o processo não foi muito diferente. O que aconteceu foi que ela expandiu tanto que estas áreas mais antigas não foram completamente descaracterizadas, surgindo assim outros núcleos de preservação, como algumas ruas do entorno da Redenção, ou mesmo em alguns pontos do centro, como para os lados da Rua Duque de Caxias e em áreas da Cidade Baixa (que também não deixa de ter sido uma modificação induzida, ainda que mais aconchegante). É que São Leopoldo é tão pequena ainda (aglutinada, sem espaço físico para se expandir em função de estar cercada por todos os lados por outros municípios urbanizados) que parece que estas mudanças vão acabar se alastrando e engolindo as belezas da cidade. Fico pensando na Rua Voluntários da Pátria, de Porto Alegre, ou no centro insosso de Canoas quando passo pelas ruas leopoldenses, como se eles fossem um prenúncio do que ela vai se tornar.

São Leopoldo sofreu bastante com o desemprego gerado no período de crise industrial, o que ocasionou muito desemprego na população local. Em função disso e do próprio perfil industrial que perdeu força, a cidade começou a ganhar inúmeros estabelecimentos comerciais, desde as Marisas da vida até os zilhões de 1,99 e lojinhas diversas, principalmente nesta última década, e perdeu, como conseqüência, os estabelecimentos familiares originais e históricos (muitos dos quais eram ainda comandados por famílias locais, com nomes alemães) que existiam até então na cidade, como ocorreu em boa parte dos grandes centros urbanos. Além do que, muitos descendentes de imigrantes alemães deixaram a cidade para morar em outros lugares e os pais e avós, com o tempo foram morrendo ou se rendendo à necessidade de modificação das suas casas pela busca de segurança ou por acabar vendendo as mesmas para a construção de prédios comerciais. Ainda há pequenos paraísos escondidos atrás dos muros opacos ou das fachadas das casas, mas só para quem conhece seus segredos.
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Então,

...chega, né?! É, chega!
"Então,"
"Então,"
"Então,"
Que falta de criatividade, siô!

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Um textículo sem compromisso

Então, fiz este texto para uma brincadeira em um outro blog e vou aproveitar e postar aqui também, já um pouquinho modificado:
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Jacaré não entrou no céu

Qual era mesmo o ano? Ah, devia ser por volta de 1984. Era o começo da abertura política, mas ainda vigorava um forte resquício de ditadura militar. Lembro que éramos todos uns fedelhos e havia a tal da Censura, que estipulava uma idade limite para tudo: para ver filme (o tempo das matinês), para ir no clube dançar (somente à tardinha, nas festas para menores), para ver televisão – é, isso não é invenção de agora, não.
Naquela época, São Leopoldo ainda era uma cidade com forte influência alemã, sem a padronização comercial das cortinas de ferro, das lojas de 1,99 e das casas de bingo e mega redes comerciais, características dos grandes centros urbanos atuais. As casas tinham personalidade, com suas varandas e jardins e com as fachadas ornamentais, de aspecto antigo e convidativo. As ruas eram estreitas e de paralelepípedos, iluminadas pelas janelas e burburinhos das residências, onde era possível ver que existia vida em movimento pro trás das paredes, uma realidade distante do desértico silêncio escuro que habita as ruas atuais. E havia o dito “valão”, a céu aberto, como se fosse um mini riacho Ipiranga, localizado onde hoje ficam os canteiros da Avenida João Corrêa. Shopping Center era uma palavra incomum no vocabulário das pessoas, menos ainda da piazada. Havia o Iguatemi, em Porto Alegre, que estava no auge da sua inauguração, um ou outro centro comercial pequeno e só. E existiam os das metrópoles, como o BarraShopping, na Barra da Tijuca, no Rio, e o primeiro Iguatemi, de Salvador.
Em São Leopoldo, os cinemas funcionavam também como ponto cultural, servindo eventualmente de palco para algum festival local. Havia dois cinemas de calçada, o Cine Brasil e o Cine Independência, chamado carinhosamente de “pulgueiro” porque, enfim, não precisa explicar, não é?! E que seria o primeiro a fechar as portas, uma década mais tarde.
Ambos, acho que pertenciam ao mesmo dono, o Seu Não-lembro-o-nome. O Cine Brasil tinha a famosa Sessão de Arte, que ocorria toda a sexta à noite e passava somente filmes que não transitavam no circuito comercial, mais ou menos o que hoje fazem nas salas da Usina do Gasômetro e Casa de Cultura, em Porto Alegre. A Sessão de Arte acabava sendo uma espécie de ponto de encontro cultural da cidade. Diziam que o dono criara a noite de sexta para poder ver os filmes que ele mesmo queria ver e que não podia porque não chegavam aos circuitos oficiais.
Nós costumávamos ir sempre. Naquelas épocas era difícil achar outras opções de filme. Não sei se as locadoras de vídeo não haviam se propagado até a região ou se elas não faziam parte do meu universo particular. Na minha vida, elas passaram a existir na segunda metade da década de 1980.
Eu tinha uma amiga com quem convivia muito nos primeiros anos de colégio. Éramos praticamente irmãs, aquela coisa de se vestir igual, de fazer o mesmo penteado, usar a Melissinha nos mesmos dias e etc. Ela era ótima, mas um pouco desligada.
Uma sexta, meus pais tiveram a idéia de nos levar juntas à Sessão de Arte, para ver o quê? Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, que havia sido filmado há pouco e que não era benquisto pelo pessoal da Ditadura Militar. Como eram anos de abertura política, filmes deste tipo geravam certa ansiedade, uma expectativa diferente, algo como saborear um doce que fora escondido dos olhos em alguma lata secreta que sabíamos existir.
Então, lá fomos nós três: eu, ela e minha mãe – meu pai não sei por que não estava desta vez.
Quando chegamos à bilheteria, minha mãe pediu três ingressos. Como eu tinha cara de mais velha, aparentando 18 ou mais, nunca houve problema de idade. Foi então que o bilheteiro olhou para a minha amiga e apontou para a tarja no cartaz: proibido para menores de 16 anos. Tínhamos 13, na época. O bilheteiro olhou pra cara dela e perguntou: Quantos anos tu tem?
Minha amiga, que sempre foi mais rápida que todo mundo, prontamente disse: Treze. – com a maior cara de pastel. Ele imediatamente respondeu: Então não pode entrar. E tu? – perguntou, me olhando. Eu abri a boca pra responder dezesseis e ela impulsiva e ingenuamente respondeu: Também! com uma cara de pastel, agora chocho.
Pronto! Ficamos as duas do lado de fora. Eu devo ter ficado de fora de todos os filmes proibidos depois disso. Sorte que não durou muito tempo.
No início da década, São Leopoldo ainda era uma cidade onde era possível qualquer um zanzar à noite, a pé e com segurança, pelas ruas da cidade, mas eu não lembro como foi o final da história. Acho que ficamos esperando minha mãe sair da sessão ou algo parecido. Ou subimos de volta para casa.
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Em queda livre, finalmente

Então, eu pulei...
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Respondendo à tua pergunta...

Então, esta é Va Pensiero:

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sábado, 13 de dezembro de 2008

Recomendação

O Ministério da Saúde adverte:

A Lua Cheia desencadeia manifestações emocionais hiperbólicas, sensibiliza os ouvidos, amplia a perceptibilidade do olhar, confunde os pensamentos, propicia a embriaguez dos sentidos, podendo aumentar também a capacidade lúdica.

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E as pessoas se preocupando com o cigarro e o álcool...tsic tsic.
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Das convenções sociais

Ontem surgiu mais uma vez a pergunta: quantos anos você tem?
Quase que eu perguntei de volta: qual delas você quer saber: a mental, a emocional, a biológica, a espiritual ou a dos homens?
Lembrei daquela tirinha da Mafalda, do Quino, na qual o vendedor bate à porta do apartamento, ela atende e ele pergunta: Oi, menina! Tua mãe está? E ela responde: Qual delas você quer? a que me enche de carinhos, a que grita comigo, a que me empurra sopa goela abaixo, a que cuida de mim, a que... O vendedor fica sem saber o que responder, com aquela cara de tacho de quem não estava preparado para a questão.
As respostas não são bem essas que coloquei, porque não me lembro direito da tirinha, mas a ídéia está ali.
Sempre fico na dúvida se respondo ou não nessas horas. E se acabo respondendo é por saber que as pessoas ainda necessitam da ilusão das referências convencionadas.
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Capitu e Bentinho

Ainda não consegui assistir a minissérie Capitu, de Luiz Fernando de Carvalho, da TV Globo, mas depois de ver o vídeo do Youtube fiquei bem curiosa:


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E seguimos valsando, em pleno século XXI, com A Sunday Smile. Mas nem precisamos ir longe. A música está sempre indo e voltando no tempo, milkshakeando sons, ritmos, instrumentos e afins.
Depois vêm me dizer que as novas gerações não querem saber do passado, que ninguém faz mais nada de bom, que as raízes estão esquecidas e blablablá. E viva a internet e a democratização da cultura!
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Piada efêmera

Acho que tô começando a enjoar de Cartola...rsrsrs
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Faz sentido...

Estava relendo alguns posts no blog do Paulo Freire, violeiro de Sumpaulo, que sempre me dá muito prazer de ler e de ouvir, e me deparei com uma frase dita pelo pai dele, o psicanalista Roberto Freire:
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É o amor e não a vida o contrário da morte.
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Então, talvez seja mesmo. Lá estou eu pensando em Vinícius de Moraes de novo.
Se alguém quiser ler o texto, é o post do dia 09/09/2007, embaixo do que fala do Tinoco, de 14/09/2007.
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domingo, 7 de dezembro de 2008

Difícil é escolher qual delas

Quartchêto é bom demais, siô!
Acho que ainda fico com Pra onde o Sul nos carregue. Ela poderia entrar na minha série Música para Chorar.
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sábado, 6 de dezembro de 2008

Para o ano que se aproxima

"Arbítrio, segundo consta no Novo Dicionário Aurélio, é a resolução que depende só da vontade. A gente sempre tem uma escolha, ainda que seja a de omitir-se atrás de um personagem, ou a de saltar fora antes de se estabacar. Se pelo menos eu fosse uma poetisa...ao menos restaria algo de bom. Um vinho tinto cairia bem neste restinho tênue de inverno. Ao som de...ah, deixa pra lá! Ano que vem tudo vai entrar nos eixos novamente. Naqueles que deixei pra trás quando vim embora. Eu te convidei para seguir comigo, mas você preferiu o personagem. Então fique com ele. Quem sabe o que mora nos teus sonhos. Meu caminho é um pouco longo e nos próximos tempos vou chorar ainda um bocado, mas agora eu já sei onde vou chegar."
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A conquista da Copa Sul-Americana

Em um dia como hoje meu pai estaria me ligando para celebrar...
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domingo, 30 de novembro de 2008

Memórias de um passado recente

Esta semana tive uma surpresa que desencadeou emoções mistas de saudosismo e alívio, melancolia e reconhecimento de que mudanças são necessárias, de uma certa tristeza temperada com pitadas de alegria:

Elevador
(Kledir Ramil)
Esse elevador não vai
Além do sétimo e eu canto pra me consolar
Esse elevador não vai
Além de cores duvidosas e pouco reais
Esse elevador não vai
Além de números impressos brancos nos botões
Eu não
Nesse elevador não ponho o pé eu não
Pé eu não
Eu não
Nesse elevador não ponho o pé eu não
Esse elevador não vai
Além de plásticos artistas super siderais
Esse elevador não vai
Além de místicos dramáticos e teatrais
Esse elevador não vai
Além de músicos neuróticos sensacionais
Eu não
Nesse elevador não ponho o pé eu não
Pé eu não
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A canção acima é do disco Aqui, dos Almôndegas, de 1975. Qualquer semelhança com os elevadores do Instituto de Artes da UFRGS não é mera coincidência.
Para quem nunca esteve lá o IA é o prédio da UFRGS por onde circulam os estudantes da Música, do Teatro e das Artes Plásticas.
Pois então, os famosos e dramáticos elevadores estão sendo reformados. O da esquerda já foi completamente extirpado e já está com um novo modelo em operação. O outro ainda está em vias de.
Os dois elevadores já eram caquéticos em 1975, época em que devem ter inspirado a canção, e nós estamos em 2008. Sempre tive um certo medo de andar neles. Me lembravam aqueles dos filmes de suspense, mas em tamanho compacto. Quando tomava um deles ficava com a sensação de que a qualquer momento ou iriam despencar andar abaixo de repente ou iriam continuar subindo e romper prédio afora, como no elevador do filme original d'A Fantástica Fábrica de Chocolate, com o significativo detalhe de que eles não teriam a mínima condição de voar, como no filme, mas despencar em curva para alguma rua próxima. Vá saber por que eu sentia isso, se eles nem chegavam até o último andar.
Foi tão estranha a sensação de subir as escadas do saguão e encontrar o tapume das obras, olhar para aquela nova porta metálica e fria se abrindo higiênica e silenciosamente e constatar que eu nunca mais veria de novo os antigos elevadores. Era como ver um pedacinho de história indo embora.
Enfim, o tempo passa e a vida vai se adaptando.
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sábado, 29 de novembro de 2008

Queridos para sempre

Engraçado, certas pessoas voltam às nossas vidas depois de tempos e partem novamente para longe e, na realidade, parece que elas sempre estiveram aqui, como se nunca tivessem partido, como se nunca tivéssemos nos afastado. A vida é sempre tão generosa comigo....


PS.: Para o Lúcio, com um carinho cheirando a projetores de slides, Pluft, O Fantasminha e velhas fotografias. E para Aliana, que ficou em casa ajeitando o ninho.
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Acorde Brasileiro

É tão bom quando tu já esperas muito de uma coisa e ela ainda consegue te surpreeender para melhor...
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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Divagações a partir da Estética do Frio.

Obs: se você tem textos realmente relevantes para ler, e a gente sempre tem, não perca seu tempo aqui, que este ainda está muito prolixo.
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Estava relendo o ensaio A Estética do Frio, de Vitor Ramil, e me veio imediatamente à memória a minha experiência como "exilada" do Sul do Brasil. Na realidade, me reportei a uma situação específica que vivenciei, enquanto estava morando no litoral nordestino, lá por 1994. Eu tenho claro para mim que o movimento de me deslocar para viver em um outro Brasil, tropical, distante 3600km, com linguagens e hábitos tão diversos dos que me constituíam, tenha também suscitado em mim, assim como suscitou em Vitor Ramil, questões acerca da identidade cultural a ponto de eu voltar para o Sul bastante incomodada com elas e ir parar justamente no curso de Letras: a que catzo de Brasil pertenço eu, afinal de contas?! - era a pergunta que eu me fazia. Como não tenho o talento de um Vitor, nem tinha clareza da dimensão exata do que me incomodava, fiquei guardando as minhas caraminholas.
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Acho relevante dizer que gosto muitíssimo destes outros Brasis que nos constituem, e, ao contrário de boa parte dos gaúchos, não tenho a menor dificuldade em sair atrás do Trio Elétrico, em dançar axé e forró com bastante desenvoltura, se considerarmos as limitações características da identidade sulina de forte influência européia, enformada pela rigidez física das danças tradicionalistas propagadas através dos CTGs. E nem tenho dificuldades em me deliciar com todo aquele universo nordestino - trecho territorial com o qual tive mais contato.
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Eu morei em Aracaju - Sergipe - e, na época, aquela cidade tinha condições geográficas anuais bastante constantes: anoitecia entre 17:30 e 18:30 horas, amanhecia entre 4:30 e 5:30 horas, havia sempre um vento gostoso, a temperatura - agradável - sofria poucas variações, chovia no inverno, quase não chovia no verão, a temperatura do mar era morna o ano todo. A paisagem litorânea é que era relativamente sem graça em relação ao resto do Estado pois, apesar dos inúmeros coqueiros, a região pegava uma confluência de águas de rio (o rio do Sargento Getúlio, de João Ubaldo Ribeiro) com mar, e os moradores diziam que ela provocava o deslocamento da areia, mais fina naquela região, deixando a água com um aspecto marrom semelhante à do nosso mar, o que negava àquelas praias citadinas uma boa parte do vigor exuberante característico do litoral brasileiro. Mas descendo ou subindo alguns quilômetros, já estávamos nos mares paradisíacos das revistas de turismo.
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Bom, vamos ao fato: uma bela noite, estava eu em frente à televisão depois de já estar bem adaptada à região, em trajes leves, quando o Jornal Nacional anuncia a chegada do inverno no Sul do Brasil, mostrando as imagens. Campos cobertos de geada, gente de poncho, gorros, luvas e casacões, rostos pálidos e movimentos encarangados, aquela coisa toda que conhecemos tão bem.
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A minha reação não foi a mesma do Vitor, de pertencimento e reconhecimento; de reconhecimento sim, mas um reconhecimento permeado por um forte assombro, talvez porque o Rio de Janeiro, onde ele morou, tenha uma temperatura mais próxima do outono gaúcho - lembro de já ter pego 15 graus de temperatura na Cidade Maravilhosa, coisa impensada lá pra cima.
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Quando vi as imagens na TV, imediatamente me reportei àquele universo, senti aquele frio cortante, a situação toda, mas pensei:
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Caramba! Como é que a gente agüenta?!
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A questão crucial que veio para ele, de se identificar com aquele frio metereológico, não foi pra mim uma reação de pertencimento, naquele momento específico. O frio aqui no Sul é muito duro! Não temos infra-estrutura adequada, como a Europa tem, para enfrentá-lo quando ele vem com intensidade. Nos dias de hoje, em função das mudanças climáticas, ele já não ocorre quase, mas há duas décadas atrás quando morei lá as quatro estações ainda eram definidas.
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Há um certo sentimento romântico em relação ao frio sulino. No Rio Grande do Sul, se uma pessoa não tiver o mínimo de infra-estrutura (abrigo fechado, agasalho adequado, comida calórica ou "um trago" bem forte, no caso dos moradores de rua), elas morrem - senão de frio, de doenças respiratórias ou de tanto beber. Já em Aracaju, se as pessoas não tivessem dinheiro para comprar roupa, tudo bem, não há frio mesmo e se ela fosse lavada de manhã, de meio-dia já estava seca.
Em relação à comida, as pessoas tinham o mar e o rio, muita fruta substanciosa e barata, farinha de mandioca (que lá é diversificada e deliciosa) e caranguejo no mangue.
Em relação à moradia, nunca me esqueço de umas casas localizadas na vila de pescadores da Barra do Coqueiros, do outro lado do rio em frente à cidade, que tinham os telhados de laterais completamente abertas e cujos os móveis eram construídos no próprio concreto das casas. Nós acordávamos com os macacos da ilha nos olhando, empoleirados nas vigas. Na realidade, eu é que achava a Barra com cara de ilha, mas ela tem conexão com a terra no lado norte. Naquelas casas, bastava um colchão, a geladeira, o fogão e umas almofadas para se viver.
Em relação a tempestades, a região onde morei também não sofria com grandes ventanias nem temporais medonhos que nem aqui, nem temperaturas baixas demais ou ventos que doem como agulhas fincadas na pele, como quando sopra o Minuano. Os chuveiros da cidade não tinham a opção de "morno" nem nas casas mais abastadas, porque eles não têm, ainda hoje, o hábito de mudar a temperatura da água. Eles também quase não tinham venezianas nas casas e edifícios. Ou eram janelas de vidro com cortinas ou eram de madeira inteira.

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Em grande parte, as minhas percepções permeavam as mesmas descritas no texto de Vitor Ramil:

"E me dei conta de que o frio simbolizava o Rio Grande do Sul. Passei a ver o frio como metáfora amplamente definidora do gaúcho.
Esta idéia foi-se enchendo de sentido na medida em que, morando no Rio de Janeiro e viajando constantemente pelo Brasil, passei a sentir o clima tropical – a regularidade de um clima de mudanças tão discretas entre as estações; o calor; a presença constante e vital do sol, do mar e dos rios – como um grande pano de fundo onde se repetiam certas características que pareciam unificar o modo de ser dos brasileiros em sua diversidade. Deparei-me em muitos lugares – e lugares distantes entre si – com um mundo de valores, de hábitos, de gostos e anseios compartilhados que para mim não tinham a mesma significação. Mais objetivamente, vivenciei a expansividade, o excesso, o emocional, o gosto pelas ruas, pela diversão, pela alegria, pelo culto ao corpo, pela dança, pelo ritmo, pelo colorido, pela espontaneidade, pelo caos, pelo múltiplo, pelo variado, pelo eclético, etc." (trecho de Estética do Frio)

Eu reconheci a minha experiência e as minhas percepções no que para ele foi "viver em um clima tropical", tanto no que diz respeito às mudanças tão discretas, quanto no que diz respeito à expansividade, ao excesso, ao emocional, ao gosto pelas ruas e tudo aquilo.

Entretanto o meu exílio foi um outro, mas que desencadeou o mesmo sentimento de "frio" que deu origem à Estética:

Sempre tive uma relação dúbia com o frio sulino. Se por um lado eu sofria com a falta de infra-estrutura adequada, por outro lado gostava demais do universo todo que ele compõe, do pinhão na chapa do fogão a lenha, dos cheiros, do café saboroso (o hábito do chimarrão, eu adquiri em Aracaju - é, pois é) do vinho, dos momentos todos em volta da mesa, das comidas diversificadas e a mesa farta, das roupas elegantes e aconchegantes, de dormir embaixo das cobertas, do vento gelado no rosto, da melancolia das praias no inverno, do barro vermelho do Alto Uruguai nos sapatos e a fumaça das chaminés das casas.


O meu Rio Grande do Sul não era o do pampa, mas o da metade norte, da serra para cima, até o Alto Uruguai e Planalto Médio. Lá não tem reta, mas montanhas, morros e coxilhas. Lá não tem campo, mas plantações de milho, trigo e soja, mato verde e barro vermelho. E no caminho de quem segue para o noroeste tem rios de corredeiras, riachos, pinheiros e muito morro.

Mas o sentimento de um "frio" simbólico, invocado pela imagem da solidão e melancolia da vastidão horizontal do pampa que o Ian descreveu tão bem e reforçou como referência para a construção da Estética do Frio de Vitor Ramil, naquele sim, eu me reconheço.

Ian Alexander (que é australiano, portanto um estrangeiro) apresentou uma análise a partir da Estética do Frio de Vitor Ramil tendo com referência esta percepção simbólica de "frio" elaborada a partir da figura de um ser construído - o gaúcho introspectivo e solitário do pampa -figura referencial para Vitor Ramil na construção da Estética do Frio, mas ilusória enquanto inexistente para além do imaginário do compositor e autor. Inexistente porque, na análise de Ian, este parte do pressuposto de que Vitor Ramil é um homem urbano, nascido e criado em Pelotas, logo não teria vivenciado as lides do gaúcho pampeano, este que povoa e centraliza o imaginário da identidade gaúcha.
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Observando Ian falar, eu enxerguei claramente o motivo que me fez querer voltar de Aracaju para o Sul cheia de saudades e com uma sensação de não-pertencimento. O meu exílio foi permeado pela ausência dos contrastes existentes aqui no Sul nos quais eu me reconheço e os quais eu não consegui identificar no Nordeste. Não era tanto pelo aspecto do frio, mas pela ausência do contraste entre frio e calor, entre paisagens tão distintas como o pampa, o litoral, a serra, o planalto, a região metropolitana, a fronteira. O Rio Grande do Sul é muito diversificado dentro dele mesmo, é um microuniverso dentro de um macrouniverso chamado Brasil, embora seja recorrente uma tentativa muito forte de propagar a idéia de uma identidade única e mítica, e, neste caso, não estou me referindo ao ensaio de Vitor Ramil. O território gaúcho tem regiões, culturas, identidades, formas artísticas, temperaturas, comidas, modos de viver e linguagens notadamente diferentes entre si. E tudo dentro de um mesmo Estado que pode ser atravessado em, sei lá, 15 horas. A diversidade não está, a meu ver, na relação com o Brasil, como parece constar na Estética do Frio. Ela já é forte o bastante dentro do próprio Rio Grande do Sul.
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No litoral nordestino, em 15 horas eu teria passado por quase cinco estados de tamanho mediano para pequeno, sem grandes variações climáticas e morfológicas perceptíveis, sem grandes variações linguísticas e culturais visíveis "a olho cru", sem grandes contrastes de vestuário, onde predominaria o forró (inverno) e o axé (verão). A pouca incidência de bebidas quentes, que não apetecem por lá, a constante superexposição do corpo, que não deixa a pele descansar para se refazer, toda esta falta dos contrastes nos quais eu me reconhecia, ela é que desancadeou meu sentimento de exílio: estar apartada desta diversidade singular e concentrada que eu tinha no Sul.
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Naquela época eu ainda não percebia a série de detalhes e riquezas no Nordeste que aparecem descritas por Vitor Ramil quando ele se refere a caos, múltiplo, variado e eclético, a diversidade que hoje provavelmente meu olhar captaria, mas eu já tinha a percepção da diversidade na cultura gaúcha, então ela devia ser, sim, mais perceptível que a lá de cima.
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Mas uma curiosidade boba, mas que me chamou a atenção na época e que não tem a ver com o texto da Estética do Frio foi a necessidade de viver em ciclo que eles têm, ainda que em um ciclo mais suave que o nosso. Eu achava que isso era uma característica nossa imposta pela vinda do frio e suas consequências, mas percebi que os sergipanos reagem aos ciclos da natureza de forma parecida com a nossa. No outono, os moradores locais ficam mais introspectivos, circulam menos, procuram-se menos, diminuem o ritmo dos exercícios físicos, freqüentam a praia para confraternizar, não para tomar banho ou pegar sol, mas não há, mesmo assim, como escapar de dourar a pele. Então quando vem a primavera, como aqui no Sul, eles saem para as ruas empolgadíssimos, cheios de energia, malham, se encontram, namoram. Depois vem o verão com seu carnaval eterno e enlouquecido e, no outono, o pico de energia é reduzido novamente. Claro que com contrastes bem mais tênues que os daqui, mas é curioso observar este lado "biológico" do ser humano em um território tão tropical quanto o deles que supostamente não necessitaria desse resguardo.
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Outra diferença está nas relações afetivas: aqui no Sul, há uma certa rigidez de limites definido entre as pessoas. É mais difícil alguém chegar na casa do outro para visitar, dormir ou tomar banho e ir entrando sem receber um convite ou sem avisar antes. No Nordeste eles não cultivam aparentemente essas formalidades que nós cultivamos. Pelo menos entre pessoas de faixas econômicas próximas.
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Finalizando as reflexões iniciais, comungo com as idéias do ensaio em vários aspectos, mas discordo de alguns pequeninos pontos, como na percepção do pampa em oposição aos morros cariocas. Os morros e montanhas são parte considerável já no próprio cenário gaúcho, na medida em que neles está concentrada boa parte da população e da diversidade cultural. Ignorá-los é reduzir bastante a diversidade local, reforçando o mito do gaúcho da identidade única. A multiplicidade referida no texto parece ser a existente no Estado e não somente a dos demais territórios brasileiros. E é curioso que um povo tão permeado pela contenção e concisão na expressão das emoções seja paradoxalmente exagerado na forma, no hiperbolismo das falas, dos tons, dos gestos - o grotesco e o sutil que aparecem na Estética.
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Outra coisa, se como relata o Vitor em sua busca pela forma ideal pra expressar o sentimento de frio "a milonga era feita da mesma matéria de que era feita a imagem do gaúcho e do pampa" ela não estaria, de certa forma, reforçando o mito do gaúcho?
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Quanto à nossa formação identitária, para mim não há mesmo como negar: nascer e viver no Rio Grande do Sul é compartilhar de uma identidade singular em relação aos tantos brasileiros que habitam o Brasil, pelo menos no que diz respeito à região litorânea do país.
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Acorde, Brasileiro!

Semana que vem tem a 2ª Edição do Acorde Brasileiro. Parece que foi ontem que acabou o primeiro...
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domingo, 16 de novembro de 2008

Tanto e tão pouco tempo

MEU DEUS COMO TEM MÚSICA LINDA NO MUNDO! - e isso que eu não conheço quase nada do existe!
Nós deveríamos vir para a Terra com alguns avatares. Um viveria voltado para a música, outro para a literatura, outro furungaria na história, outro nas artes, outro na psicanálise, na sociologia...
É bom sonhar! E não custa dinheiro, por enquanto...
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sábado, 15 de novembro de 2008

Música para chorar: lágrimas de assustadora alegria

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Quando acontece de uma música me fazer chorar, nem sempre isto acontece porque estou triste ou melancólica. Às vezes ocorre de realmente coincidir com algum momento mais introspectivo, como este de agora, mas independentemente disso a música tem este poder: o de me emocionar simplesmente por ser linda demais ou por ser uma execução mais delicada.
É o caso das que escolho para colocar aqui no blog, na minha série Música para chorar.
Não sei explicar que poder elas têm ou se são momentos em que estou mais receptiva para captar toda a beleza, não sei se é a freqüência sonora delas que me afeta mais do que as de outras. O que sei é que, às vezes, chega a doer aqui dentro, de tão lindas que elas soam.
Você não deve estar achando nada disso, não é mesmo? Tudo bem, os caminhos musicais de cada um são mesmo subjetivos.
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PS.: para acessar o vídeo direto no youtube, o endereço é: http://www.youtube.com/watch?v=sODQHhkj_YQ&feature=related
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Parece que madame estava enganada...

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Pra que discutir com madame, de Haroldo Barbosa e Janet Almeida,
na voz do ex-marido da Miúcha.
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Ironia

Sabe a mulher aquela que trabalhou a vida inteira na cordoaria da cidade? Pois é... em uma bela manhã enforcaram ela.
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O grande amador

O poeta e letrista Vinícius de Moraes amou intensamente, casou-se nove vezes, viajou bastante, bebeu muito ao longo da vida, chorou todas as suas dores e medos, fez parcerias, agregou amigos, fez amigos vários e viveu arrebatadoramente.
O que o motivava?
Segundo José Castello, na biografia O poeta da Paixão, era a tentativa de driblar a morte a todo custo.
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O tempo de uma gestação

Sonhei com meu pai essa noite. Estávamos em um quarto de hospital. Eu sabia que ele morreria logo e achava que ele também sabia disso, apesar de não contarmos. A minha dúvida era se eu tocava no assunto, para que ele tivesse a oportunidade de falar a respeito, desabafar seus medos e angústias e tudo o que eu achava que ele estava sentindo, ou se ficava calada, fazendo de conta que ele voltaria pra casa. Então resolvi tocar no assunto, ele me abraçou e desandou a chorar, como uma torrente de água represada que, de repente arrebenta o muro que a estancava. Eu o abracei também e desandei a chorar junto. E então eu pude ver que ele sabia de tudo, mas não queria tirar nossas esperanças. Então eu acordei.
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Meu pai não era bobo. Ele deve ter sacado que seu tempo expiraria rapidamente, e nesse caso, não era melhor ter enfrentado tudo abertamente? Se eu estava certa quanto a ele saber de tudo, deixar ele sentindo sozinho, sem poder verbalizar nada, deve ter sido horrível. Vou me questionar ainda por muito tempo, pelo jeito.
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Esses dias li ou ouvi alguém comentando que o luto saudável dura um período de nove meses. Então em março tudo isso deve acabar. Engraçado que seja exatamente o mesmo tempo de uma gestação.
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A fonte inesgotável

Sabe aquelas perguntas de entrevista: "O que você faz para espantar a tristeza?", né?
Pois é, se tivesse que responder a uma delas diria o seguinte: tem gente que bebe, que chora, que fica irritada por estar triste. Eu toco flauta. Sim, é isso que eu faço. Quando dá, é claro, que também não vou tocar às três da madrugada, ainda mais flauta. Se fosse violão ou teclado, até daria...
Incrível como a música tem o poder de transformar as emoções da gente. É o calmante de efeito mais rápido que conheço. E tem efeito relativamente duradouro...por isso que esse povo que estuda música erudita vive com cara de paisagem campestre.
Eu aprendi alguma coisa de leitura de partitura quando era criança, mas depois me acostumei a tocar de ouvido mesmo. Acontece que, entre uma música e outra, a gente desperdiça muita nota, inventa melodias súbitas, brinca com elementos percussivos e tal. E eu sempre fico pensando que, mesmo com uma quantidade tão básica de sons como os tirados da flauta doce soprano, a mais conhecida das flautas, instrumento que não chega a abranger duas oitavas e que sozinho só permite a execução de um som por vez, diferentemente do violão e do piano que permitem a combinação simultânea de sons diversos ampliando muito o leque de possibilidades sonoras, mesmo com ela é difícil acontecer de cairmos em um fragmento já conhecido ou que soa familiar. E isso é muito louco na música. Você faz combinações e mais combinações e a fonte nunca se esgota.
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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O elefante

Hoje é dia dez, o penúltimo do ano, thanks God!
Só para não destoar dos outros deste ano, foi um dia emocionalmente intenso. E para o lado difícil da vida. Se é que lidar com emoções fortes e tensas chega a ser fácil em algum momento.
Para completar, queimou o motor da caixa d'água do condomínio.
Quantas horas faltam mesmo pra acabar o dia?!
Acho que eu vou pedir um colo.
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PS.: este post é só para os íntimos.
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domingo, 9 de novembro de 2008

Falhas no sistema

Odeio quando o blog apaga o post antes de eu terminar de escrever ou postar. Ele não tem nada que ficar salvando por conta! Eu não mandei fazer isso! Que saco!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Feira do Livro

Bah, amanhã vai ter Caju e Castanha na Feira...
E Cartola e Arquisarau IV e Machadinho e Guimarães e Lacan e Herencia Gaitera de San Jacinto e...e...puts! E vai dar colisão.
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Concordo plenamente...


Uma amiga minha me disse ontem: "Tu é melhor no ensaio do que na poesia." Em outras palavras: poesia não é o meu melhor. Gentil ela, né?! Ainda considerou meus rabiscos poéticos.





Refletindo a respeito, eu percebo que tenho uma concepção de poesia menos rígida que a dos meus queridos. Para mim, ela não tem que ser sempre profunda, visceral, transformadora e/ou reflexiva. Parece paradoxal o que vou dizer a seguir, mas a poesia é, em determinados momentos, um pouco o Joan Miró da palavra: o respiro, o lúdico, o primário, o encantamento no meio da dureza e da frieza do mundo.



O olho que capta e transpõe para a mão o que não é mais percebido facilmente pelas pessoas, insensibilizadas pelo embrutecimento da vida. Quando me arrisco, é isso que tenho em mente, mas sem o compromisso de acertar. E como Miró, prezo muito a liberdade de me permitir arriscar, mesmo que seja só pelo prazer de brincar com a sonoridade da palavra, ainda que "só brincar" também seja, para mim, absolutamente necessário.


Onde ela esconde a voz?!

Björk, em uma das minhas prediletas:
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Ela é fantástica! A criatividade sonora, a colocação da voz, a forma de construir as melodias e combinar os instrumentos, tanto os existentes quanto os inventados, e às vezes de forma sutil, quase imperceptível, a capacidade de se metamorfosear e aproveitar todo o seu potencial. And the lyrics...
Eu não conseguia selecionar o que colocar aqui.
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Jóga
(Lyrics by Sjón et Björk)
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All these accidents that happen
Follow the dot
Coincidence makes sense
Only with you
You don't have to speak
I feel
Emotional landscapes
They puzzle me
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Then the riddle gets solved and you push me up to this:
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State of emergency:
How beautiful to be!
State of emergency:
Is where I want to be
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All that no-one sees
You see
What's inside of me
Every nerve that hurts you heal
Deep inside of me
You don't have to speak
I feel
Emotional landscapes
They puzzle me
.
Then the riddle gets solved and you push me up to this:
.
State of emergency:
How beautiful to be
State of emergency:
Is where I want to be
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State of emergency
State of emergency
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Não gostou? Foi essa que me fez ficar enlouquecida pelo cd Homogenic, em 2000. É, eu sei que ele é de 1997.
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Em queda livre

Uma vez o Paulo Coimbra Guedes comentou na aula dele que: "Fulano se jogou na piscina sem ver se tinha água dentro", se referindo a desafios ousados e impensados.
Agora estou eu aqui me jogando, não em uma piscina, mas em um abismo, sem saber sequer se tem terra me esperando, que dirá água. Pior é que eu acho que vou me estatelar!
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PS.: este post não é sobre canção ou afins.
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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O tempo dos jacarandás

E estamos em mais uma Feira do Livro.
Desta vez tenho que ficar um pouco de molho, apesar de ter gostado do que vi hoje. Não posso cair em tentação e livros em bando e em oferta são quase irresistíveis.
É tão bom ir lá, aprender coisas novas, descobrir outras, achar aquele livro que a gente nem sabia que existia ou do qual nem lembrávamos mais, encontrar os amigos de sempre e os amigos das Feiras e os amigos sumidos e os novos amigos. E comer acarajé. Sim, eu adoro comer acarajé na Feira do Livro! Claro que eu lavo as mãos depois, pelo bem da Feira.
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PS.: Por que nesta cor? Tsic tsic...
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O que é que a baiana tem?!

Eu conheci o trabalho deste grupo na época da 50ª Feira do Livro de Porto Alegre, em 2004, quando o estado da Bahia foi o homenageado da vez. Estava furungando no estande baiano, quando me deparei com um cd do XI Festival de Música Instrumental da Bahia, gravado, ao vivo, em janeiro de 2003. Banda de Boca é um grupo da cidade de Salvador, que faz apresentações a capella, ou seja, usando apenas a voz como instrumento.
Nós realmente não conhecemos o Brasil.
Abaixo eu coloquei o vídeo da canção "Palavra", de Hiran Monteiro e Sérgio Humberto, que é a do cd do Festival:
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E então? Pessoas são ou não são música?!
PS.: Para ter mais prazer, acesse o myspace da banda.

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domingo, 2 de novembro de 2008

O casulo

Difícil não lembrar do meu pai em um dia como hoje. Mas eu estava aqui pensando que sempre que vou a um velório se reforça em mim a sensação de que o corpo físico, este em que habitamos, é apenas um casulo, sabe?! Para usarmos enquanto estamos lagartas. Então quando vem a morte, a lagarta rompe a casca e vai embora. E o que fica é aquele casco frágil e amarelado, seco, como os que vemos grudados nas árvores dos bosques e que se quebra na primeira batida. Não tem mais ninguém ali. Não faz mais sentido estar ali. O que fica é a certeza de que não tem mais volta
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Ou como diz Mario Quintana:
----------------Seu retrato está completo. ----------------------
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sábado, 1 de novembro de 2008

No tempo das cartas

Estava lendo o texto do Fabrício Carpinejar, Finados na minha caixa de mensagens, agora há pouco:
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"Fui fazer faxina em minha caixa de endereços. Limpar os nomes duplicados, uniformizar os conhecidos, distribuí-los pelas suas cidades. Dedica-se a manhã e a tarde para uma atividade que julgava cumprir em uma hora. Trabalho chato, porém indispensável. Assim como meu pai nos botava a retirar o osso do peixe para merecê-lo.

Encontrei o nome de um amigo falecido. Ao deletá-lo mecanicamente, apareceu a mensagem perguntando se tinha certeza daquilo. Vacilei. Era como se o próprio finado me questionasse se o apagaria da minha vida. Pressionado, ninguém tem certeza. Eu, muito menos.

Seria enterrá-lo de novo. Desprezar a sua lembrança.

Espiei ao lado para ver se um vulto se mexia na cortina. Respirei fundo e tratei toda aquela suposição como bobagem, estresse. Ele não conseguiria responder, o que valeria manter seu nome para ocupar espaço? (E, se por sinal replicasse, ficaria dominado pelo pavor, ainda que fosse uma resposta automática).

Mas o mal-estar não desapareceu com o meu realismo. Agravou-se. Raspava o teclado como um soletrador de piano. Não pulava de tecla. Sentei em mim, denso, com as costas do mar em meus ouvidos. Bateu uma moleza de sesta, um aborrecimento antigo." (para ler o final da história, acesse o site)

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Meu pai faleceu há alguns meses atrás. E eu não consigo apagar o número dele do meu celular. Nem o número, nem as mensagens.

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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

"A day without a laugh...

...is a wasted day!"
(Charles Chaplin)

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Um pouco de boniteza para alegrar o final de semana
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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Quando a Cultura Popular e a Academia se encontram

Eu tive a oportunidade de assistir este show, ao vivo, de Benjamim Taubkin com o Núcleo de Música do Abaçaí no Unicultura da UFRGS, Edição 2008, e foi uma das experiências sonoras e visuais mais gratificantes das últimas edições do Uni. Apesar do vídeo reduzir boa parte da beleza do show dá para se ter uma idéia:
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Foi um espetáculo de extasiar a alma. Os arranjos bem construídos, a seleção musical deliciosa que viajou das caixeiras do Divino, do Maranhão, à ciranda pernambucana de Dona Lia de Itamaraca, aos cocos de Alagoas e Bahia descendo para o Congado Mineiro, com o moçambique, toda essa riqueza cultural, e mais um pouco ainda, expressada nas vozes das cantoras Mazé Cintra, Verlúcia Nogueira e Neuza de Souza em contraste com a voz grave e encorpada de Sapopemba, e junto com a delicadeza sofisticada do piano de Benjamim Taubkin, com o acompanhamento do contrabaixo de João Taubkin e com as construções percussivas de Ari Colares, de Sapopemba e das caixas e sapateados das mulheres, todos esses elementos formaram uma combinação embriagante não somente aos ouvidos, mas aos olhos e músculos de todos nós que estivemos lá naquela noite.
São essas maravilhas que fazem eu me orgulhar imensamente de ser brasileira.
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O palhaço

"Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando. Falei muitas vezes como o palhaço, mas nunca desacreditei da seriedade da platéia que sorria."
Faz tantos anos que esse texto me acompanha no silêncio das gavetas.
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Quando fica muito difícil, a gente brinca.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Ainda música para chorar

Ou com orquestra, mais linda ainda. Pena que não tenha uma com a Orquestra de Cordas da Unisinos regida pelo Zé Pedro Boéssio.

PS.: Sorry, queridos leitores fictícios, não consegui postar este segundo vídeo.
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Música para chorar



The Saxers playing Aria sulla Quarta Corda (Johann Sebastian Bach).

Parceria

Quando a alma fica sem palavras, a música preenche as lacunas.
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(by Mana)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Falhas na linha

Sabe, uma das coisas das quais mais tenho medo é daquelas falhas na comunicação que podem pôr tudo a perder. Aquilo de um pensar uma coisa que quer dizer, expressar uma outra, o lado de lá captar uma terceira e interpretar como uma quarta. Ou aquelas situações de um entender errado e os dois nunca mais se encontrarem por causa disso, como naquele filme com a Annette Bening e o Warren Beatty. Eles marcam um encontro, ela sofre um acidente na ida ao local marcado que a deixa incomunicável por uns tempos, ele acha que ela desistiu e que se apaixonou por outro, as vidas tomam rumos completamente diferentes até eles se reecontrarem meses ou anos mais tarde, não lembro bem. E aí tu fica naquela agonia de saber se nenhum dos dois vai comentar nada que desfaça o engano e este permaneça para sempre. Algumas pessoas me criticam por eu estar sempre tentando confirmar se entendi o que foi dito ou se me fiz entender. Mas é nisso que eu penso, cada vez que tento clarear as coisas. É tão tênie a linha no processo de comunicação. Love Affair é o nome original do filme. Acho que este foi um dos motivos de eu ir parar na Letras, o medo da impossibilidade da comunicação entre as pessoas. E eu acho que está acontecendo comigo de novo. Não sei exatamente o que houve, mas sei que quero consertar.
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domingo, 26 de outubro de 2008

Para refletir

Em "O Homem Cordial", de Raízes do Brasil:
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“ (...) Não era fácil aos detentores das posições públicas de responsabilidade, formados por tal ambiente, compreenderem a distinção fundamental entre os domínios do privado e do público. Assim, eles se caracterizam justamente pelo que separa o funcionário “patrimonial” do puro burocrata conforme definição de Max Weber. Para o funcionário “patrimonial”, a própria gestão política apresenta-se como assunto de seu interesse particular; as funções, os empregos e os benefícios que deles aufere relacionam-se aos direitos pessoais do funcionário e não a interesses objetivos, como sucede no verdadeiro Estado burocrático, em que prevalecem a especialização das funções e o esforço para assegurarem garantias jurídicas aos cidadãos. A escolha dos homens que irão exercer funções públicas faz-se de acordo com a confiança pessoal que mereçam os candidatos, e muito menos de acordo com as suas capacidades próprias. Falta a tudo a ordenação impessoal que caracteriza a vida do Estado burocrático. O funcionalismo patrimonial pode, com a progressiva divisão das funções e com a racionalização, adquirir traços burocráticos. Mas em sua essência ele é tanto mais diferente do burocrático, quanto mais caracterizados estejam os dois tipos.
No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedicados a interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente próprio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação impessoal. Dentre esses círculos, foi sem dúvida o da família aquele que se exprimiu com mais força e desenvoltura em nossa sociedade. E um dos efeitos decisivos da supremacia incontestável, absorvente, do núcleo familiar – a esfera, por excelências dos chamados “contatos primários”, dos laços de sangue e de coração – está em que as relações que se criam na vida doméstica sempre forneceram o modelo obrigatório de qualquer composição social entre nós. Isso ocorre mesmo onde as instituições democráticas, fundadas em princípios neutros e abstratos, pretendem assentar a sociedade em normas antiparticulares. (...)” (HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. 26. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 145-146)
PS: Isto não é um recado para ninguém em especial.
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Eleições no Brasil

O que mais me incomoda nessas pessoas que mais criticam a falta de candidatos adequados, a falta de um partido político ideal, da ética, do cumprimento total dos planos de governo e que escolhem os candidatos baseado no pouco que não foi feito em detrimento de tudo o que foi realizado é que elas podem ficar comodamente esperando as próximas eleições porque essas mesmas pessoas não passam fome, não passam frio, puderam estudar em escolas razoáveis ou boas, têm carro, moram em casas ou apartamentos, têm plano de saúde e podem levar o filho no cinema. Eu acho que as pessoas no Brasil ainda não se livraram da mentalidade romântica.

sábado, 25 de outubro de 2008

Facilidades modernas

O ruim de publicar texto em jornal é que depois de escrito não dá mais pra modificar nada.

O jeito Coca-Cola de ser

Eu não sou adepta da Coca-Cola, ou viciada, que é o termo que ficaria mais adequado à relação desta bebida com seus consumidores. Nunca fui, hábito de família. Refrigerantes artificias só eram permitidos nos churrascos de domingos e festas. Logo, nunca criei dependência a eles, nem física, nem afetiva. Também não sou vegetariana nem categorias afins. Adoro um bom xis com batata frita, mas procuro deixar só para o "de vez em quando".
Tempos atrás aconteceu de eu andar enjoando de comidas embutidas, como chester, presunto e assemelhados, passando, assim, a optar por frutas e outros alimentos menos industrializados.
Aí eu me dei conta de uma coisa que eu acho que os amantes de refrigerantes não conseguem perceber: os refrigerantes alteraram o padrão dos temperos, do sal e do açúcar. Todas as comidas "Jesus Me Chama" possuem um teor de sal bem acima do necessário ao paladar de quem come comidas in natura. E eu sou do tempo em que se cozinhava polenta em tachos. "Jesus Me Chama" é uma expressão que eu adotei depois de ouvi-la em uma entrevista do João Gordo, vocalista do Ratos de Porão. Ele se referia àquelas comidas do tipo "fanta uva com torresmo de buteco". Perfeita para definir o padrão Coca-Cola de ser. Acontece que eu chego nos lugares e peço a comida (pastel, xis, salgados ou outros) e não peço o refrigerante. Aí se percebe a diferença. Como eles são muito doces, a comida precisa compensar no sal. É absurda a quantidade desnecessária que é colocada. Assim como, se limparmos o paladar do excesso, comendo frutas e comida caseira e deixarmos o refrigerante perder o gás (este um belo maquiador para o alto teor de açúcar), a bebida se torna intragável. Fica um xarope melequento. E o mais divertido foi que, ao me desligar dos embutidos, outras coisas foram junto na seqüência, como os alimentos gordurosos para pão (requeijão, patê, Käzschmier, margarina) porque a gente perde a vontade de comer pão de padaria. E olha que eu sou louca por um pão francês recém saído do forno.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Blablablás noturnos

Um amigo meu que é músico disse uma vez que, de tempos em tempos, é preciso limpar os ouvidos de música. Ficar em silêncio, sem ouvir nada, para recuperar a sensibilidade embotada. Faz sentido! Chega uma hora em que os ouvidos estão tão saturados que perdemos um pouco do impacto.
Fazendo um pequeno parênteses, eu ouvi uma história, tempos atrás, de que o Roger Waters usaria um recurso nos shows dele que consistiria em colocar um som imperceptível momentos antes da abertura. O som serviria sutilmente para limpar os ouvidos do público, ampliando a percepção das pessoas, como a água que é servida junto com os vinhos. Então quando chegasse o momento do show as pessoas estariam preparadas para receber todo o impacto sonoro. Não sei se isso é verdade mesmo, mas é uma idéia curiosa.
Bom, voltando ao assunto, o mesmo processo de saturação acho que serve para situações nas quais ficamos ouvindo os mesmos gêneros musicais ou tipos de sons semelhantes por muito tempo. No meu caso, por anos a fio. Cansa! É claro que melhora a percepção, cria referências e uma bagagem mínima de comparação, o que é útil e necessário. Mas eu sinto que estou cansada, que preciso mudar um pouco, tirar umas férias musicais. De uns tempos pra cá, tenho notado que meus ouvidos estão levemente saturados de música brasileira. Não que eu não goste dela, pelo contrário. Sou apaixonada pela diversidade cutural deste idiossincrático país e por todas as mesclas sonoras que andam acontecendo pelo território, do Oiapoque ao Chuí, em todas as direções possíveis. Só estou precisando de outros ares, para desencharcar um pouco. A gota d'água aconteceu com algumas canções do Coldplay e da Amy Winehouse. A branca mais preta da Inglaterra, plagiando a clássica frase de Vinícius de Morais, não tem me pego tanto, mesmo com o suingue de Rehab e com sua voz maravilhosa, acho que em função do tom depressivo, puxando para uma atmosfera outonal, como em You Know I'm No Good, Back to Black e Love Is a Losing Game, que eu acho deliciosas, mas melancólicas.
Já o Coldplay me pega, talvez pelos arranjos mais solares da temporada de 2008. Ele pede uma atmosfera celebrativa, meio marcial. Amigos meus têm comentado sobre a vinda da Madonna, do R.E.M. e de outras bandas consagradas por estas terras brasilleñas, mas eu acho que se fosse escolher uma única banda para vir à Porto Alegre, escolheria o Coldplay. Um estádio cheio de Clocks, Violet Hill, Yellow (acústico) e Viva La Vida para dançar e cantar até se estabacar era tudo o que eu precisava para recuperar os sentidos. E, de preferência, bem perto do palco para ver a performance física do vocalista, que depois que deixou crescer o cabelo parece que virou outra pessoa, com um domínio de corpo bem explorado, recheado de gestos e de expressões faciais, mais confiante. Claro que o caleidoscópio aqui não poderia deixar de perceber a mudança gestual e como sempre, ficar hipnotizada. Definitivamente gente em movimento é uma das minhas grandes paixões mesmo.
E a música é uma arte imprevisível, que pega por caminhos sutis e inesperados, tanto a quem toca, quanto a quem ouve.
Tenho tentado pensar o que faz com que este ou aquele som entre nos meus ouvidos e não saia mais. Tempos atrás eu estava em uma fase Jaime Roos. Fiquei obcecada pelo trabalho dele e quase furei o cd de tanto repetir trechos. Depois foi com a hipnotizante trilha circular de Yann Tiersen para o filme Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain. Essa eu entendo melhor, porque a circularidade dela já é naturalmente hipnotizadora, e também ótima de tocar na flauta. Já com o Coldplay foi o som mesmo e a performance do Chris Martin, the bandleader. As letras me parecem fracas. Além do magnetismo do vocalista, a batida eu acho que foi o que mais me pegou. Aquela entrada forte depois da introdução do teclado, em Clocks, a forma como ele colocou a voz e o prazer de tocar, quase em transe. Violet Hill me remeteu quase imediatamente aos Beatles e ao Pink Floyd. E de novo a parceria teclado e bumbo hipnotizando. Quanto a Viva La Vida a música também me pegou em cheio, desde o início até o final, mas o que realmente me impressionou foi o clipe. Tu só consegue olhar para o vocalista: as expressões, os movimentos, as palavras bem articuladas. Ali ele aprendeu a usar o corpo e não parou mais. E de novo a batida controlando o ritmo cardíaco. E o sino, que me traz fortes lembranças e referências afetivas. Fiquei com vontade de ouvir todo o trabalho para poder observar o conjunto da obra. Em relação a Yellow, que já era legal antes, eu gostei da versão acústica mesmo, com ele cantando mais para o grave que para o agudo. Enfim, coitados dos meus vizinhos quando eu conseguir essas músicas em cd.
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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Reforma Ortográfica

Alguém comentou esses dias que não vai aderir à nova "reforma" ortográfica porque gosta do trema e dos outros acentos. Eu também não vou! Que saco! Se os estudantes tivessem acesso às grafias dos livros mais antigos, como os do início do século XX, eles olhariam para a nova Reforma e para a nossa cara e diriam: "Tás brincando comigo, né?!" Contem mais umas décadas e a ortografia vai ser outra vez modificada para acrescentar mais ou menos o quê? O que hoje estamos tirando. Tá, eu estou exagerando, mas não tem nada prioritário para se pensar na área da Educação, não?!

Uma aldeia um pouco singular

Na Literatura e na Canção se fala com certa freqüência naquela máxima "canta a tua aldeia" como forma de entender e revelar o mundo, referência que funciona tão bem com Vitor Ramil, Nei Lisboa, e diversos artistas de áreas diferentes. E aí eu fico pensando na obra do Chico Buarque, que é meu objeto de estudo - para quem não sabe, caso haja vida aí na frente da tela. A sua obra é a de um artista que vive no meio da efervescência "oficial" do Brasil. E o Chico, não canta sua aldeia? Canta! Tudo bem que essa "aldeia" está no centro midiático e cultural brasileiro. Mas não deixa, mesmo assim, de ser a aldeia dele.
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O geógrafo

"Quem pensa o novo são os homens do povo e seus filósofos, que são os músicos, cantores, poetas, os grandes artistas e alguns intelectuais." (Milton Santos)

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E viva a canção brasileira!

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sábado, 18 de outubro de 2008

Saudades do Renato

Ontem estive na Livraria do Trem para mais uma das celebrações à vida que a Manu costuma fazer nessas épocas. Na verdade, era para abrirmos a noite com um Grenal feminino, mas São Pedro teve dó de nosotras e nos poupou de pagar este pequeno mico sob o olhar dos rapazes. Mas o negócio é que foi tão bom ver aquele povo de novo! Parecia que estávamos na época do Renato novamente, com todo o seu universo de detalhes relevantes e prazeirosos. À medida que o tempo ia passando, entre conversas, cervejas e baguncinhas, as lembranças foram se aprochegando, dos dias não muito distantes em que ficávamos até altas horas da madrugada, já de portas fechadas, tocando e cantando com aqueles instrumentos que eu não sei de onde ele tirava porque iam aparecendo de repente, do nada, dos esconderijos secretos, daquelas seleções musicais saborosamente boas, do ambiente aconchegante onde íamos nos chegando como se estivéssemos em casa, cercados de livros e objetos atraentes com cheiro de história, do burburinho do truco do pessoal, das pessoas queridas. Um tempo que sabíamos, não duraria pra sempre, talvez por isso tenha sido tão aproveitado.
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PS.: em tom de madeira, para combinar com a decoração.
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aiaiai

Estes finais de semana de outubro costumam ser dos mais complicados do ano pra mim. Sempre acontecem várias atividades legais e importantes nos mesmos dias e horários que me deixam sem saber o que fazer e o que priorizar. TODOS OS ANOS É A MESMA COISA...
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Sem saída

Sabe aqueles momentos da vida em que chegamos a uma encruzilhada e precisamos escolher entre um dos caminhos?! Pois é, eu estou em um desses. O díficil é que as duas estradas são absolutamente necessárias e escolher uma delas já determina a renúncia da outra. O mais difícil é saber que o caminho mais relevante a se trilhar pode levar a uma perda dos dois percursos, talvez até já tenha levado. Por que as coisas têm que ser assim? Eu poderia fugir, voltar atrás, buscar um outro trajeto ou simplesmente ignorar, como das outras vezes. Mas não agora! Não mais!
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PS.: de qualquer forma será um crescimento, mas a que preço?!
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Message in a bottle

Faz um tempo que venho passeando por blogs de amigos meus e outras escritas destas dos tempos atuais e me ocorreu que, tirando aqueles blogs mais objetivos ou direcionados para um tipo de assunto ou mesmo de caráter profissional (utilizados para fins profissionais), os demais acabaram transformando-se, eventualmente, em grandes reservas de garrafas vazias. Uma vez ou outra alguém pega uma das suas garrafas (uma página de blog) escreve uma mensagem e atira na água salgada (a internet). E como nas garrafas jogadas ao oceano, a mensagem fica lá, navegando, sendo embalada de um lado a outro, na esperança de que alguém a perceba, abra e leia o que está escrito. Em quem chegará, só Netuno sabe...
E como no caso das garrafas, a expectativa tem lá o seu encantamento.
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PS.: Estava aqui escrevendo e lembrando do filme com o Kevin Costner.
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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Os CFGs - Centros de Ficção Gaúcha

Não temos nada contra os homossexuais freqüentarem os CTGs (Centros de Tradição Gaúcha), desde que eles se comportem dentro das normas. E desde que eles não queiram se comportar como as prendas.
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Foi mais ou menos esse o comentário de Manoelito Tavares, presidente do IGTF (Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore) sobre a reportagem de hoje de um conhecido jornal de Porto Alegre a respeito do comportamento dos peões nas apresentações de danças gaúchas.
A reportagem teve repercussão entre parte dos leitores, que tomaram o texto como uma crítica ao homossexualismo nos CTGs, posicionando-se aqueles ou contra ou a favor da posição do autor.
Segue abaixo o texto original que gerou a discussão, exatamente como foi publicado no site:

"Data: 06/10/08
AS DANÇAS TRADICIONAIS E OS PEÕES "DELICADOS"
Canabarro
O avanço do homossexualismo no mundo atinge todas as camadas sociais e todas as culturas, é um avanço assustador! De tal maneira que se todos revelassem sua preferência sexual, possivelmente nós os heterossexuais (homens que gostam de mulheres e mulheres que gostam de homens) seríamos a minoria. Os programas televisivos e principalmente as novelas, nos bombardeiam com histórias com homossexuais diariamente, querem nos fazer acreditar que isto de homem acasalar com homem, e mulher com mulher é normal e natural. Não acho que seja! Homem acasala com mulher e mulher acasala com homem! Da mesma maneira que cavalo cobre égua e não cavalo, e égua não cobre égua. Égua é coberta pelo cavalo! Isto sim, é natural! Preferências a parte, a liberdade da escolha sexual é uma realidade que também invadiu o tradicionalismo. Não adianta fecharmos o “zoio”. Apenas esperamos que o respeito e a postura sejam mantidos. Ao menos dentro dos CTGS e eventos tradicionalistas.Mas já estamos enfrentando um problema nas nossas Invernadas Artísticas, nos quesitos interpretação e gestos, e todos sabem que a interpretação soma muitos pontos no principal palco das danças tradicionais, o ENART. As nossas danças tradicionais foram criadas para os peões galantearem as prendas, portanto, para Homens e Mulheres. No entanto, vemos que muitos peões com outra preferência sexual, fazem parte das Invernada Artística de grandes CTGS. Até aqui, tudo bem! Se não fossem os exageros gestuais e feminilidade que “aflora” na interpretação durante certos passos das nossas danças tradicionais. Os “peões” mais delicados, por assim dizer, não devem se esquecer que neste momento estão interpretando um homem heterossexual que gosta e prefere mulher! Que com sua dança querem galantear a prenda. Mas vejo em muitas invernadas gestos de peões que, na verdade disputam com a prenda doçura e meiguice, a tal ponto que, a grosso modo, vê-se duas prendas dançando. Uma travestida de homem! Não preciso dizer que isto numa avaliação, transforma-se em perda de preciosos pontos! E quem poderia garantir que este não é este o principal motivo de algumas invernadas que treinaram arduamente durante o ano todo não conseguirem a tão sonhada classificação? Não acho que os homossexuais devam ser proibidos de participar nas danças tradicionais gaúchas, afinal, a liberdade sexual de cada um deve ser respeitada! Mas não devemos nos esquecer que as danças tradicionais gaúchas são para peões e prendas! Espera-se que instrutores e patrões fiquem atentos para auxiliarem estes peões, para que os gestos não fiquem femininos demais e com isto prejudiquem o desenvolvimento das nossa Danças Tradicionais. Afinal, nas danças gaúchas, feminina só as prendas!
Ademir Canabarro – um missioneiro
Fonte: CoxixoGaucho"
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Quer dizer, entre outras coisas, que para poder freqüentar um CTG é preciso se despir da própria identidade para vestir um personagem e representar o seu (dele) papel?! O pior é que não me admira mais esse tipo de imposição. Os CTGs estão cada vez mais próximos da construção de uma ficção e cada vez mais distantes da preservação da tradição que tanto dizem defender.
É nestas horas que se entende a importância do riso. Pena que não tenhamos um Machado de Assis no Rio Grande do Sul, e nas últimas décadas. Ele estaria se divertindo tanto por aqui!
Ah, e eu também gostaria muito que essas pessoas todas clareassem o quê exatamente elas entendem por "respeito à prenda", esta expressão tão recorrente nos discursos acerca da chamada tradição gaúcha.
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Fonte: a reportagem citada consta em Zero Hora, nº 15758, de 14 de outubro de 2008, página 34. O comentário de Manoelito Savaris foi emitido no programa Camarote, da TVCOM.
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