terça-feira, 30 de setembro de 2008

Carta do Tom

Rua Nascimento Silva, 107
Eu saio correndo do pivete
Tentando alcançar o elevador
---
Minha janela não passa de um quadrado
A gente só vê Sérgio Dourado
Onde antes se via o Redentor
---
É, meu amigo
Só resta uma certeza
É preciso acabar com a natureza
É melhor lotear o nosso amor
---
Não, meus queridos, eu não errei a letra da canção.
Carta do Tom, composta em 1977 por Toquinho, Tom Jobim e Chico Buarque, é uma paródia da famosa canção Carta ao Tom, de Vinícius e Toquinho, composta em 1974.
A paródia só foi gravada em um show ao vivo no Canecão, Rio de Janeiro, em 1977. Na relação da paródia com a canção original está uma divertida e crítica comparação entre o Rio de Janeiro do final década de 1950, período de surgimento da Bossa Nova, e o Rio de Janeiro de meados da década de 1970, em plena ditadura militar.
No palco daquele show estavam Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Toquinho e Miúcha. Heloisa Maria Buarque de Hollanda, a Miúcha, cantora e compositora, que era a irmã mais velha de Chico Buarque de Hollanda. Ela ficou conhecida mais por sua voz como a divertida personagem dos Saltimbancos (a Galinha), por seu parentesco com Chico e com João Gilberto, seu ex-marido, e menos por sua relevante participação na formação da chamada Música Popular Brasileira. Miúcha foi uma das responsáveis por aproximar entre si os artistas que depois viriam a se tornar ícones da formação da MPB e da Bossa Nova. Apesar de pouco conhecida do grande público fora do circuito Rio-São Paulo, ela teve grande participação na carreira do irmã mais famoso dos Buarque de Hollanda. Foi no violão e na vitrola dela que Chico ensaiou as primeiras notas e ouviu seus discos. Foi como o irmão da Miúcha que começou a freqüentar os redutos boêmios de São Paulo. E foi ela uma das pessoas que aproximou Vinícius de Moares da juventude da época, o respeitado poeta que ousou abalar sua imagem para fazer letra de "música". Viva Miúcha e sua sensibilidade!


Fontes:

http://www.chicobuarque.com.br/construcao/mestre.asp?pg=cartaaot_77.htm http://www.viniciusdemoraes.com.br/discografia/sec_discogra_discos.php?id=20

WERNECK, Humberto . Chico Buarque:Letra e Música. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

.

domingo, 28 de setembro de 2008

A Menina dos Olhos não pode brincar...


Hoje à tarde eu estava no youtube observando um vídeo do Caetano Veloso com Jorge Benjor e saltou, novamente, aos olhos um detalhe que vem me chamando a atenção desde que vim embora pro sul do Brasil, em meados da década de 1990. Em um dos dvd’s do Chico Buarque, no qual ele canta com Dorival Caymmi a canção A Vizinha do Lado, isto também é bastante evidente.
O que tem se destacado?! A forma como certos artistas brasileiros interagem entre si, tanto homem com homem, como mulher com mulher, ou homem com mulher ou vice-versa, principalmente no nordeste e no eixo Rio-São Paulo. Eles interagem freqüentemente trocando olhares lascivos ou sedutores, enamorando-se uns dos outros, despudoradamente, e não interessa se quem está ali é do mesmo sexo ou não. É como se fosse um jogo, mas que parece se estender para além dos palcos, para as rodas de amigos e demais situações de convívio social, e onde a malícia é apenas um ingrediente a mais na comunicação, como a entonação, o gesto ou o riso. Percebi muito isso no nordeste, mas era uma reação tão natural da parte deles, que não chegava a me causar constrangimento. Era parte do processo comunicativo. Aqui, um artista que abusa deste recurso, mas me parece ser uma exceção, é o Nelson Coelho de Castro, coincidentemente, o nosso compositor urbano mais próximo da vertente do samba e da marcha-rancho.
O que sempre me chamou a atenção é que parece que este é um comportamento ausente entre os homens gaúchos. Talvez seja também para os catarinas e paranaenses, mas eu não convivo com ambos. Os gaúchos, entre eles, não lançam olhares cobiçosos como faz Caetano Veloso, por exemplo, pelo menos não de forma natural. Há um limite cultural implícito perpassando o comportamento masculino, com uma outra carga de significação agregada à essa forma de expressão. Não estou querendo dizer que no Rio Grande do Sul ninguém se olhe nos olhos e não utilize o olhar para encantar, mas parece ser diferente, um olhar menos sexual, mais reservado. Receptivo, sim, mas mais próximo da simpatia ou da reflexão, principalmente no que diz respeito aos momentos de palco. Também não estou querendo julgar ninguém, apenas apontar traços que me soam curiosos ou inusitados para tentar entender um pouco este mundão chamado Brasil.
Fico pensando ainda se não será o meu olhar que ainda não conseguiu perceber algo deste tipo nestas bandas sulinas. Será?
-----
Obs.: o DVD é do Box Chico Vol 1 (2005), Meu Caro Amigo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Há como sairmos ilesos?


Esses dias li em algum lugar a seguinte frase:

"Somos sempre modificados pelo que amamos." (de Joseph Brodsky?)

Não conhecia o autor, nem conheço o contexto original em que a frase está inserida, mas em termos de relacionamento humano, eu diria que somos sempre modificados, só que, muitas vezes, de forma tão sutil, que nem chegamos a perceber. Sempre que interagimos com outra pessoa levamos alguma coisa conosco e deixamos algo também. Ou bem mais do que isso, dependendo da situação, enfim. A diferença é que quando amamos alguém, seja em um relacionamento amoroso ou em outro tipo de relação, nós mesmos procuramos pela modificação, na tentativa de conhecer e compreender o universo daquela pessoa que está em nossas vidas nos conquistando pouco a pouco. Não há como sairmos ilesos.



terça-feira, 23 de setembro de 2008

Receita de Bom Humor

Um poema, no café da manhã.

Não é nova, eu sei, mas funciona!

..........................................................

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Um pouco de poesia...


e no sábado
todos os sons
em todas as tocas
em todas as touças
tocam

tocarolas e tímidas,
as bocas, as nucas
roucas, túmidas

e o som


toc toc.....toc toc
toc toc.....toc toc
toc toc.....toc toc


(by Mana)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O Primeiro Sutiã!

Enfim, o primeiro blog a gente nunca esquece?!
Não sei, vamos ver o que o tempo vai dizer.
Escolhi este tom de rosa estranho um pouco por eliminação, mas sabe que estou começando a gostar dele?!
É isso, por enquanto!