quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A fonte inesgotável

Sabe aquelas perguntas de entrevista: "O que você faz para espantar a tristeza?", né?
Pois é, se tivesse que responder a uma delas diria o seguinte: tem gente que bebe, que chora, que fica irritada por estar triste. Eu toco flauta. Sim, é isso que eu faço. Quando dá, é claro, que também não vou tocar às três da madrugada, ainda mais flauta. Se fosse violão ou teclado, até daria...
Incrível como a música tem o poder de transformar as emoções da gente. É o calmante de efeito mais rápido que conheço. E tem efeito relativamente duradouro...por isso que esse povo que estuda música erudita vive com cara de paisagem campestre.
Eu aprendi alguma coisa de leitura de partitura quando era criança, mas depois me acostumei a tocar de ouvido mesmo. Acontece que, entre uma música e outra, a gente desperdiça muita nota, inventa melodias súbitas, brinca com elementos percussivos e tal. E eu sempre fico pensando que, mesmo com uma quantidade tão básica de sons como os tirados da flauta doce soprano, a mais conhecida das flautas, instrumento que não chega a abranger duas oitavas e que sozinho só permite a execução de um som por vez, diferentemente do violão e do piano que permitem a combinação simultânea de sons diversos ampliando muito o leque de possibilidades sonoras, mesmo com ela é difícil acontecer de cairmos em um fragmento já conhecido ou que soa familiar. E isso é muito louco na música. Você faz combinações e mais combinações e a fonte nunca se esgota.
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