sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Gostei disto

Ainda falando do Inspetor Clouseau:
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Passeios mentais

Sempre lembro do Sérgio Buarque de Holanda quando leio ou ouço a respeito de 1982. Foi nesse ano que o Chico Buarque, filho do Sérgio, começou a compor com Edu Lobo um dos mais belos trabalhos de sua carreira: O Grande Circo Místico, de 1983, composto para o Ballet Teatro Guaíra, do Paraná, em espetáculo inspirado no poema homônimo de Jorge de Lima.
Em 1982 surgiram canções como Beatriz, Ciranda da Bailarina, Sobre Todas as Coisas, Na Carreira, O Circo Místico e Valsa dos Clowns. Eles já haviam composto uma canção juntos, Moto-contínuo, de 1981, mas foi em 1982 que a parceira foi retomada e se consolidou pra valer.
O disco é delicado e agrada mais em função das melodias do Edu Lobo do que propriamente das letras do Chico.
Em compensação, Beatriz é praticamente imbatível.
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P.S.: O poema foi publicado no livro de Jorge de Lima denominado A Túnica Inconsútil, de 1938. Segundo entrevista de Chico Buarque para a Revista Nova América, em 1989, a personagem Agnes, que no texto original é uma equilibrista, teria servido a Chico na construção da Beatriz da canção, que teria virado atriz nas mãos do compositor para facilitar a rima. E o sétimo céu da letra também seria uma homenagem à Beatriz Portinari, a amada de Dante Alighieri.

Mais ainda sobre Adoniran

Um detalhe que me ocorreu agora há pouco e que passou despercebido no dia 15 de janeiro: escrevi o post com o vídeo da Elis cantando com o Adoniran sem me dar conta que a Elis faleceu em 19 de janeiro de 1982, aos 36 anos de idade, e que o Adoniran Barbosa faleceu em 23 de novembro de 1982, aos 72 anos de idade. Ou seja, ela acabou morrendo antes dele e com a metade da idade.
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P.S.: mesmo ano também da morte de Sérgio Buarque de Holanda, que não tem a ver com a conversa e que teve o seu livro Raízes do Brasil publicado pela primeira vez em 1936.
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domingo, 25 de janeiro de 2009

Música para Sorrir

Então, iniciando uma nova série, Música para Sorrir, deixo aqui a primeira delas, o tema do Inspetor Clouseau, composto por Henry Mancini. Eu não sei que efeito ela tem em minhas vísceras, mas sozinha ou acompanhada de trechos do filme sempre acaba me fazendo exercitar incontrolavelmente o diafragma.

É com sólida alegria que desejo muito prazer a todos:
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Uma historinha simpática

Há exatos oito anos atrás, no dia 25 de janeiro de 2001, iniciava o primeiro Fórum Social Mundial em Porto Alegre.
A primeira edição teve um número acanhado de participantes ousados e bastante determinados. E com a grande imprensa local fingindo ignorar e até ironizando o evento. A TVE (tv educativa local) foi a única que cobriu todo o evento, mas seu alcance é ínfimo no Estado.
Só que o primeiro deu tão certo que na edição seguinte o número de jornalistas cobrindo o encontro já era quase igual ao número de participantes do primeiro.
E em 2005, a cobertura internacional da imprensa era uma das coisas mais absurdas que vi ao vivo aqui na cidade. Na caminhada de abertura, os canteiros ao longo da Av. Borges de Medeiros eram tomados de repórteres e fotógrafos tentando registrar um imenso tapete de pessoas em comunhão, cada uma se manifestando à sua maneira, numa mistura de povos, crenças, formas, cores, sons, línguas, linguagens e idéias como eu nunca testemunhei igual. Só quem estava lá sabe a emoção que foi tudo aquilo.
E a população do Rio Grande do Sul na praia, completamente alheia a tudo.
Até que, numa bela edição, o evento acabou sendo elevado à condição de moda, pela mesma imprensa que agora se tapeava para conseguir um espaço em meio a tanto interesse internacional e nacional pelo que estava sendo discutido no Fórum e no que ele estava desencadeando em diversos pontos do mundo e do Brasil.
E aí, claro! Todo mundo que ia pra praia em janeiro começou a prestar atenção, a ficar e, vejam só, resolveu participar!
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P.S.: Na primeira edição havia 630 delegados não cadastrados (fora os 4.070 cadastrados). Não cadastrado é quem se inscreve sem estar vinculado a alguma entidade ou organização. E 1.870 jornalistas cobrindo o evento - imprensa internacional + nacional. Na segunda edição havia, só de free-lancers, 697 jornalistas cobrindo o Fórum. Fora todos os outros credenciados, totalizando 3.356 jornalistas para 12.274 delegados (incluindo os não cadastrados). Os não cadastrados também ganhavam uma identificação, mas não podiam assistir as discussões principais (como as conferências) dentro dos auditórios porque não cabia todo mundo e os delegados cadastrados, como eram representantes de entidades, inclusive de muitos lugares diferentes, levariam as discussões adiante em suas organizações e entidades, disseminando assim, as idéias e discussões para um maior número de pessoas e países.
Em 2001 vieram pessoas de 117 países; em 2002, vieram de 123 países; em 2003, de 130 países; em 2005, de 151 países.
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Ainda sobre o Adoniran

Pensando bem, acho que não é uma boa comparação. O Adoniran Barbosa tem uma melancolia muito presente nas canções, mesmo nas mais engraçadas, e usa aquele dialeto dos bairros italianos de São Paulo, enquanto que o Inspetor Clouseau tem uma comicidade singela, mas que não chega a ser patética. E sem dialeto, característica que facilita o humor nas canções do brasileiro. Se bem que o Inspetor tem o acento francês que também é hilário. Mas o Adoniran tem, realmente, um singular e inegável toque humorístico, tanto que ouvir outro cantando não é tão saboroso. Ele sabe que está fazendo graça. O Clouseau percebe que fez bobagem, mas tenta remendar porque se leva a sério. O Adoniran não tem essa preocupação. Até quando está sinceramente triste, ele é engraçado. Fica aqui mais uma canção:
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Véspera de Natal
(Adoniran Barbosa)
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Eu me lembro muito bem
Foi numa véspera de natal
Cheguei em casa
Encontrei minha nega zangada,
A criançada chorando,
Mesa vazia, não tinha nada.
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Saí, fui comprar bala mistura,
Comprei também um pãozinho de mel
E cumprindo a minha jura
Me fantasiei de papai noel
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Falei com minha nega de lado
Eu vou subir no telhado
Vou descer na chaminé
Enquanto isso você
Pega a criançada e ensaia o "dingo bel"
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Ai, meu deus, que sacrifício!
O orifício da chaminé era pequeno
Pra me tirar de lá
Foi preciso chamar
Os bombeiros
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Adoniran para inglês ver

Estava aqui ouvindo algumas canções gravadas pelo Adoniran Barbosa e me ocorreu que se eu tivesse que explicar para um britânico quem ele foi como artista, eu diria que, em certo sentido, ele me lembra um pouco o Peter Sellers da canção, o eterno Inspector Clouseau, com aquela comicidade singela e patética dele, não é não?! Até fisicamente há semelhanças entre os dois. Estava pensando em canções como Iracema e Véspera de Natal.

Fica aqui uma das que mais gosto. Ela é do repertório mais melancólico dele:

Prova de Carinho
(Adoniran Barbosa e Hervé Cordovil)*

Com a corda mi
Do meu cavaquinho
Fiz uma aliança pra ela,
Prova de carinho.

Quantas serenata
Eu tive que perder,
Pois meu cavaquinho
Já não pode mais gemer.

Quanto sacrifício
Eu tive que fazer,
Para dar a prova pra ela
Do meu bem querer.

Com a corda mi
Do meu cavaquinho
Fiz uma aliança pra ela
Prova de carinho.

* Em gravação de 1974.
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Brasileiríssima

Uma das minhas canções prediletas. Especialmente neste vídeo:
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Trecho do DVD Samba Meu, de Maria Rita, extraído do Youtube.

Tudo bem que o samba é carioquíssimo, não brasileiríssimo. Ou baianíssimo, diria Tia Ciata.
Não sou carioca, mas o samba também corre nas minhas veias, e com muita força.
Como entrou lá, só Deus (ou Clara Nunes) explica.
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Recomendação II

O Ministério da Saúde adverte:

Fuja das Luas Cheias. Vá para Marte ou para o B 612. Mas neste caso, não leve junto nenhuma rosa. E não fale com raposas no meio do caminho.

P.S1: recomendado inclusive para misses.
P.S2: este post não tem nada a ver com o do blog do Fabrício Carpinejar.

Quanta bobagem...!

P.S3: Fui escolher os marcadores para esta postagem e na minha lista constava pequeno parto. Se considerarmos que parir também significa retirar uma pessoa de dentro de mim, separar, afastá-la das minhas entranhas, tomando entranhas como coração, sentimento ou algo guardado em um lugar profundo, talvez seja adequado, romanescamente, classificar o post como pequeno parto.
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sábado, 10 de janeiro de 2009

Herança de Família

Estava aqui ouvindo novamente o último trabalho do Frank Jorge:
O Volume 3.

Quanto mais ouço, mais confirmo que sou mesmo uma romântica incorrigível. Só não sei se lamento ou agradeço por isso.


Não, eu sei sim! Eu gosto de ser assim, ainda que o preço seja um pouco salgado. Quando bem dosado, o romantismo tem um sabor delicioso.

Iniciar o ano ouvindo um trabalho destes é um ótimo começo, não é não?! [;)] [:)]
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