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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Para Maria Lúcia, onde quer que ela esteja

"Minhas ruas, como minhas estradas
não têm margens
como não têm começo nem fim" (Dom Helder Câmara)

Eu queria muito ter te visto envelhecer, minha tia. Minha tia Lúcia. Te curtir com os cabelos branquinhos, branquinhos como flocos de algodão, bebendo o teu chimarrão de manhã cedo, com minha mãe junto, em alguma varanda deste mundo vasto, aqui, em São Gabriel ou em algum outro lugar que desejavas conhecer. Continuar a ouvir tua voz e as pérolas do teu senso de humor delicioso, saborear os bifes que fazias como ninguém, te ver rir e brilhar os lindos olhos, aprender a tua sabedoria de escolher com qualidade e de administrar as coisas, jogar contigo uma partida de vôlei - ou várias.
Herdaste a generosidade de coração do meu avô e o discernimento e a força incisiva e muitas vezes dura de minha avó.
A vida te cansou cedo demais, tia. E nós é que ficamos aqui na saudade.
Vai em paz, com muito amor e luz!
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