Não temos nada contra os homossexuais freqüentarem os CTGs (Centros de Tradição Gaúcha), desde que eles se comportem dentro das normas. E desde que eles não queiram se comportar como as prendas.
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Foi mais ou menos esse o comentário de Manoelito Tavares, presidente do IGTF (Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore) sobre a reportagem de hoje de um conhecido jornal de Porto Alegre a respeito do comportamento dos peões nas apresentações de danças gaúchas.
A reportagem teve repercussão entre parte dos leitores, que tomaram o texto como uma crítica ao homossexualismo nos CTGs, posicionando-se aqueles ou contra ou a favor da posição do autor.
Segue abaixo o texto original que gerou a discussão, exatamente como foi publicado no site:"Data: 06/10/08
AS DANÇAS TRADICIONAIS E OS PEÕES "DELICADOS"
Canabarro
O avanço do homossexualismo no mundo atinge todas as camadas sociais e todas as culturas, é um avanço assustador! De tal maneira que se todos revelassem sua preferência sexual, possivelmente nós os heterossexuais (homens que gostam de mulheres e mulheres que gostam de homens) seríamos a minoria. Os programas televisivos e principalmente as novelas, nos bombardeiam com histórias com homossexuais diariamente, querem nos fazer acreditar que isto de homem acasalar com homem, e mulher com mulher é normal e natural. Não acho que seja! Homem acasala com mulher e mulher acasala com homem! Da mesma maneira que cavalo cobre égua e não cavalo, e égua não cobre égua. Égua é coberta pelo cavalo! Isto sim, é natural! Preferências a parte, a liberdade da escolha sexual é uma realidade que também invadiu o tradicionalismo. Não adianta fecharmos o “zoio”. Apenas esperamos que o respeito e a postura sejam mantidos. Ao menos dentro dos CTGS e eventos tradicionalistas.Mas já estamos enfrentando um problema nas nossas Invernadas Artísticas, nos quesitos interpretação e gestos, e todos sabem que a interpretação soma muitos pontos no principal palco das danças tradicionais, o ENART. As nossas danças tradicionais foram criadas para os peões galantearem as prendas, portanto, para Homens e Mulheres. No entanto, vemos que muitos peões com outra preferência sexual, fazem parte das Invernada Artística de grandes CTGS. Até aqui, tudo bem! Se não fossem os exageros gestuais e feminilidade que “aflora” na interpretação durante certos passos das nossas danças tradicionais. Os “peões” mais delicados, por assim dizer, não devem se esquecer que neste momento estão interpretando um homem heterossexual que gosta e prefere mulher! Que com sua dança querem galantear a prenda. Mas vejo em muitas invernadas gestos de peões que, na verdade disputam com a prenda doçura e meiguice, a tal ponto que, a grosso modo, vê-se duas prendas dançando. Uma travestida de homem! Não preciso dizer que isto numa avaliação, transforma-se em perda de preciosos pontos! E quem poderia garantir que este não é este o principal motivo de algumas invernadas que treinaram arduamente durante o ano todo não conseguirem a tão sonhada classificação? Não acho que os homossexuais devam ser proibidos de participar nas danças tradicionais gaúchas, afinal, a liberdade sexual de cada um deve ser respeitada! Mas não devemos nos esquecer que as danças tradicionais gaúchas são para peões e prendas! Espera-se que instrutores e patrões fiquem atentos para auxiliarem estes peões, para que os gestos não fiquem femininos demais e com isto prejudiquem o desenvolvimento das nossa Danças Tradicionais. Afinal, nas danças gaúchas, feminina só as prendas!
Ademir Canabarro – um missioneiro
Fonte: CoxixoGaucho"
Fonte: CoxixoGaucho"
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Quer dizer, entre outras coisas, que para poder freqüentar um CTG é preciso se despir da própria identidade para vestir um personagem e representar o seu (dele) papel?! O pior é que não me admira mais esse tipo de imposição. Os CTGs estão cada vez mais próximos da construção de uma ficção e cada vez mais distantes da preservação da tradição que tanto dizem defender.
É nestas horas que se entende a importância do riso. Pena que não tenhamos um Machado de Assis no Rio Grande do Sul, e nas últimas décadas. Ele estaria se divertindo tanto por aqui!
Ah, e eu também gostaria muito que essas pessoas todas clareassem o quê exatamente elas entendem por "respeito à prenda", esta expressão tão recorrente nos discursos acerca da chamada tradição gaúcha.
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Fonte: a reportagem citada consta em Zero Hora, nº 15758, de 14 de outubro de 2008, página 34. O comentário de Manoelito Savaris foi emitido no programa Camarote, da TVCOM.
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