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domingo, 25 de janeiro de 2009

Uma historinha simpática

Há exatos oito anos atrás, no dia 25 de janeiro de 2001, iniciava o primeiro Fórum Social Mundial em Porto Alegre.
A primeira edição teve um número acanhado de participantes ousados e bastante determinados. E com a grande imprensa local fingindo ignorar e até ironizando o evento. A TVE (tv educativa local) foi a única que cobriu todo o evento, mas seu alcance é ínfimo no Estado.
Só que o primeiro deu tão certo que na edição seguinte o número de jornalistas cobrindo o encontro já era quase igual ao número de participantes do primeiro.
E em 2005, a cobertura internacional da imprensa era uma das coisas mais absurdas que vi ao vivo aqui na cidade. Na caminhada de abertura, os canteiros ao longo da Av. Borges de Medeiros eram tomados de repórteres e fotógrafos tentando registrar um imenso tapete de pessoas em comunhão, cada uma se manifestando à sua maneira, numa mistura de povos, crenças, formas, cores, sons, línguas, linguagens e idéias como eu nunca testemunhei igual. Só quem estava lá sabe a emoção que foi tudo aquilo.
E a população do Rio Grande do Sul na praia, completamente alheia a tudo.
Até que, numa bela edição, o evento acabou sendo elevado à condição de moda, pela mesma imprensa que agora se tapeava para conseguir um espaço em meio a tanto interesse internacional e nacional pelo que estava sendo discutido no Fórum e no que ele estava desencadeando em diversos pontos do mundo e do Brasil.
E aí, claro! Todo mundo que ia pra praia em janeiro começou a prestar atenção, a ficar e, vejam só, resolveu participar!
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P.S.: Na primeira edição havia 630 delegados não cadastrados (fora os 4.070 cadastrados). Não cadastrado é quem se inscreve sem estar vinculado a alguma entidade ou organização. E 1.870 jornalistas cobrindo o evento - imprensa internacional + nacional. Na segunda edição havia, só de free-lancers, 697 jornalistas cobrindo o Fórum. Fora todos os outros credenciados, totalizando 3.356 jornalistas para 12.274 delegados (incluindo os não cadastrados). Os não cadastrados também ganhavam uma identificação, mas não podiam assistir as discussões principais (como as conferências) dentro dos auditórios porque não cabia todo mundo e os delegados cadastrados, como eram representantes de entidades, inclusive de muitos lugares diferentes, levariam as discussões adiante em suas organizações e entidades, disseminando assim, as idéias e discussões para um maior número de pessoas e países.
Em 2001 vieram pessoas de 117 países; em 2002, vieram de 123 países; em 2003, de 130 países; em 2005, de 151 países.
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domingo, 30 de novembro de 2008

Memórias de um passado recente

Esta semana tive uma surpresa que desencadeou emoções mistas de saudosismo e alívio, melancolia e reconhecimento de que mudanças são necessárias, de uma certa tristeza temperada com pitadas de alegria:

Elevador
(Kledir Ramil)
Esse elevador não vai
Além do sétimo e eu canto pra me consolar
Esse elevador não vai
Além de cores duvidosas e pouco reais
Esse elevador não vai
Além de números impressos brancos nos botões
Eu não
Nesse elevador não ponho o pé eu não
Pé eu não
Eu não
Nesse elevador não ponho o pé eu não
Esse elevador não vai
Além de plásticos artistas super siderais
Esse elevador não vai
Além de místicos dramáticos e teatrais
Esse elevador não vai
Além de músicos neuróticos sensacionais
Eu não
Nesse elevador não ponho o pé eu não
Pé eu não
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A canção acima é do disco Aqui, dos Almôndegas, de 1975. Qualquer semelhança com os elevadores do Instituto de Artes da UFRGS não é mera coincidência.
Para quem nunca esteve lá o IA é o prédio da UFRGS por onde circulam os estudantes da Música, do Teatro e das Artes Plásticas.
Pois então, os famosos e dramáticos elevadores estão sendo reformados. O da esquerda já foi completamente extirpado e já está com um novo modelo em operação. O outro ainda está em vias de.
Os dois elevadores já eram caquéticos em 1975, época em que devem ter inspirado a canção, e nós estamos em 2008. Sempre tive um certo medo de andar neles. Me lembravam aqueles dos filmes de suspense, mas em tamanho compacto. Quando tomava um deles ficava com a sensação de que a qualquer momento ou iriam despencar andar abaixo de repente ou iriam continuar subindo e romper prédio afora, como no elevador do filme original d'A Fantástica Fábrica de Chocolate, com o significativo detalhe de que eles não teriam a mínima condição de voar, como no filme, mas despencar em curva para alguma rua próxima. Vá saber por que eu sentia isso, se eles nem chegavam até o último andar.
Foi tão estranha a sensação de subir as escadas do saguão e encontrar o tapume das obras, olhar para aquela nova porta metálica e fria se abrindo higiênica e silenciosamente e constatar que eu nunca mais veria de novo os antigos elevadores. Era como ver um pedacinho de história indo embora.
Enfim, o tempo passa e a vida vai se adaptando.
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