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domingo, 28 de setembro de 2008

A Menina dos Olhos não pode brincar...


Hoje à tarde eu estava no youtube observando um vídeo do Caetano Veloso com Jorge Benjor e saltou, novamente, aos olhos um detalhe que vem me chamando a atenção desde que vim embora pro sul do Brasil, em meados da década de 1990. Em um dos dvd’s do Chico Buarque, no qual ele canta com Dorival Caymmi a canção A Vizinha do Lado, isto também é bastante evidente.
O que tem se destacado?! A forma como certos artistas brasileiros interagem entre si, tanto homem com homem, como mulher com mulher, ou homem com mulher ou vice-versa, principalmente no nordeste e no eixo Rio-São Paulo. Eles interagem freqüentemente trocando olhares lascivos ou sedutores, enamorando-se uns dos outros, despudoradamente, e não interessa se quem está ali é do mesmo sexo ou não. É como se fosse um jogo, mas que parece se estender para além dos palcos, para as rodas de amigos e demais situações de convívio social, e onde a malícia é apenas um ingrediente a mais na comunicação, como a entonação, o gesto ou o riso. Percebi muito isso no nordeste, mas era uma reação tão natural da parte deles, que não chegava a me causar constrangimento. Era parte do processo comunicativo. Aqui, um artista que abusa deste recurso, mas me parece ser uma exceção, é o Nelson Coelho de Castro, coincidentemente, o nosso compositor urbano mais próximo da vertente do samba e da marcha-rancho.
O que sempre me chamou a atenção é que parece que este é um comportamento ausente entre os homens gaúchos. Talvez seja também para os catarinas e paranaenses, mas eu não convivo com ambos. Os gaúchos, entre eles, não lançam olhares cobiçosos como faz Caetano Veloso, por exemplo, pelo menos não de forma natural. Há um limite cultural implícito perpassando o comportamento masculino, com uma outra carga de significação agregada à essa forma de expressão. Não estou querendo dizer que no Rio Grande do Sul ninguém se olhe nos olhos e não utilize o olhar para encantar, mas parece ser diferente, um olhar menos sexual, mais reservado. Receptivo, sim, mas mais próximo da simpatia ou da reflexão, principalmente no que diz respeito aos momentos de palco. Também não estou querendo julgar ninguém, apenas apontar traços que me soam curiosos ou inusitados para tentar entender um pouco este mundão chamado Brasil.
Fico pensando ainda se não será o meu olhar que ainda não conseguiu perceber algo deste tipo nestas bandas sulinas. Será?
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Obs.: o DVD é do Box Chico Vol 1 (2005), Meu Caro Amigo.