domingo, 1 de fevereiro de 2009

O pássaro

Sabe aqueles momentos em que a gente se pega pensando na vida, no nosso universo, no que nos faz feliz? Pois, hoje teve mais um destes.
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Acordei, tomei um belo banho e fui arrumar o café, um pouco preocupada com as caraminholas deste momento da minha vida. E foi então que um pequeno detalhe mudou o ar da minha manhã de domingo.
Eu também gosto de todas estas coisas imprescindíveis para muitas pessoas, parafernálias tecnológicas e elétricas que falicilitam ou entopem a rotina da gente, vitrines cheias de roupas, sapatos, acessórios e produtos de beleza que depois ficam nas prateleiras estagnando energia e nos lembrando de que não precisávamos comprar aquilo tudo e que devíamos passar adiante o que só está ocupando espaço ou avançando no prazo de validade. Também acho bonitos e sedutores todos aqueles carros e celulares e poder comprar todos os objetos que me atraem quando passo na frente de vitrines, vejo catálogos, folheio revistas e etc.
Mas quando eu paro pra pensar, o que realmente me faz feliz é tão mais simples. É o conforto do tecido macio e limpo em contato com a pele na hora de deitar, é um prato saboroso para partilhar com os amigos numa boa conversa regada a uma bebida gostosa, é poder namorar sem pressa, em harmonia com o parceiro e com imaginação, é um banho relaxante quando chego da rua ou um perfume ressonando pela casa. É poder comprar os discos, livros e papéis que gosto e ouvir música em um bom aparelho, é poder viajar para lugares aconchegantes e charmosos na companhia dos meus queridos ou ver um filme no aconchego de casa ou em uma boa tela de cinema - de preferência, em Gramado. É poder caminhar no meio da natureza, fazer uma roda de violão com os amigos, sair pra dançar e tocar minha flauta. Ou mergulhar e ficar curtindo aquele som denso de concha marinha. O que mais eu preciso? O que for além é ótimo, mas sinceramente, não me faz falta. E nada destas coisas que citei despende muito dinheiro. Pode-se ter qualidade e conforto gastando pouco. Só é preciso conhecer os caminhos, achar as fontes, que normalmente não ficam tão expostas, poder planejar e observar.
E aí alguém pode pensar: ah, é a história das uvas, tá desdenhando. Eu já vivi em situações de excessivo consumo e de gastos desmedidos, no meio de quem tem muito, compra pelo prazer de ter e não sabe bem o que fazer, de tanto que tem. É legal, mas tá, e daí?! Precisa realmente gastar tanto, comprar tanto ou está compensando alguma falta irrremediável?! Tem sentido tudo aquilo a partir do momento em que passa a ser simbólico de um sentir-se bem momentâneo e exibicionista? Quando a possibilidade do não ter ou não poder comprar torna-se um desespero tão grande que a pessoa perde a própria identidade?!
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Ah, o que aconteceu? Enquanto eu estava na cozinha com a cabeça naqueles assuntos que não sei bem o rumo que irão tomar e tal, eu abri a porta para curtir o ar fresco da manhã. De repente entrou voando um daqueles passarinhos pecorruchos de peito amarelo que são tão delicados. Na mesma hora ele desviou minha atenção e me deu uma alegria tão boa! Ele rodopiou, pousou aqui, ali, rodopiou de novo por um tempo e saiu voando. E todos os meus pensamentos inseguros e inquietantes ficaram tão pequenos, tão desnecessários.
Realmente eu não preciso de muito para viver bem.
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