sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Umpf!

Até meu horóscopo já aderiu à Reforma Ortográfica!
QUE-SA-CO!
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Sim, eu leio horóscopo!
Horóscopo é que nem novela ou Big Brother: todo mundo diz que não vê, mas acaba dando uma espiadinha, vem dizer que não?! Tá, menos o Big Brother atual, este nono aí, que já era chato ainda na metade do oitavo - antes mesmo de começar.
E novela, sinceramente, não dá mais nem pra pensar em olhar! Gastou a fórmula. Os autores não se prestam mais nem a surrupiar da literatura. E eu gostaaaava de novela! O folhetim pós-moderno.
Parece que esta última, das oito que começa às nove e meia, ainda conseguiu se salvar um pouco. Assisti o primeiro capítulo. Há rumores de que vai indo. Mas também, na Índia! Só pode chamar a atenção mesmo!
Vamos ver, vamos ver...ainda tem muito capítulo pela frente.
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A filosofia do nariz ou tentando entender o meu mundo

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Sempre gostei de histórias e estórias de pessoas que quebram as regras, que seguem seu próprio nariz. As Antígonas, os Marqueses de Sade (o personagem do filme "Contos Proibidos do Marquês de Sade", de Phillip Kaufman), as Chiquinhas Gonzaga, os Vinícius de Moraes, as Julietas, os Romeus e tantos outros de filmes, da literatura e da vida real.

Sempre as admirei, para além da mera fantasia do herói ou da heroína, porque pessoas deste tipo são corajosas, amam, acreditam, elas ousam lutar pelo que as faz felizes ou pelo que acham que vale a pena. E a vida parece não gostar muito de pessoas que aceitam abrir mão do que acreditam ou sentem, mas das capazes de ousar sair dos padrões e seguir seu próprio nariz para buscar a felicidade, das que têm fé na própria força. Isto é o que a maioria costuma chamar de sorte, timing, sabedoria, etc.: conseguir perceber que o que vale a pena já vem dentro de cada um, não podendo ser comandado ou determinado pelos homens, e buscar esse Norte dentro do próprio peito, aquilo que apita dentro da gente quando uma situação desafiadora aparece nas nossas vidas. Esse apito que muitos costumam chamar de intuição.

A sociedade, com suas leis, regras e convenções, modifica-se de acordo com cada contexto e momento. O que hoje é considerado obrigatório, ilegal, pode levar à cadeia ou à morte, pecaminoso ou perigoso, amanhã pode-se descobrir que era um equívoco, que os homens se enganaram, que os homens estavam errados. Nada de novo, são homens tendo que administrar um imenso grupo de homens e tentando administrar em prol do que parece se adequar à maioria, ou quem sabe a uma minoria mais influente.

Mas aquilo que apita dentro do peito, quando vem de um sentimento de amor, quando vem da intuição, aquilo não é do domínio dos homens.

Normalmente um risco destes que desafiam as convenções, exige uma dose de determinação e de coragem, porque costuma ter um preço, que é sempre inferior à recompensa de ter seguido o próprio caminho, mas de qualquer forma, pode ser cobrado.

Não estou falando aqui de prazeres doentios, mundanos ou caprichosos, mas daquele sentimento que vem lá de dentro, do fundo da alma, que nos faz acreditar que tem uma mão maior comandando as coisas, seja qual for, e a certeza de que o que a gente quer é uma coisa boa, que vem para melhorar o mundo, para acrescentar.

Quando melhoramos as nossas vidas, as nossas emoções, quando conseguimos viver dentro de sentimentos de freqüência positiva (e a gente, lá no fundo do fundo, sabe quais são), o mundo melhora em torno, o mundo se contamina com o que estamos transparecendo.

Talvez quem esteja lendo isto ache o que penso uma obviedade, ou talvez não tenha nunca sentido algo assim. Ou talvez quem está lendo o texto até faça isto, sem ter consciência de que esteja fazendo. É como se fosse uma sensação, uma intuição, algo que fica cutucando, empurrando, como se dissesse: Vai por aqui. Tu sabe que é por aqui! Por que tu não vai?!

É por isto também, por já ter passado por situações deste tipo e tê-las seguido sem precisar me arrepender - e por ter convivido com pessoas que faziam e fazem isto -, que é difícil para mim aceitar que as pessoas se adaptem e sucumbam às regras e convenções sociais sem critério, pela obediência cega ou medo de se opor à maioria. É por isso também que valorizo tanto aqueles que conseguem sair deste circuito e seguir a intuição, ainda que, muitas vezes, sem compreender bem onde vai dar ou o porquê. Afinal, é uma intuição. Ela não vem com toda a explicação. Ela simplesmente vem.

Então, se as leis dos homens são feitas para regular a sociedade - regular um grande grupo onde existem pessoas muito diferentes, que precisam conviver entre si com um mínimo de consenso, de limites e de respeito, e para regular aquelas que não conseguem discernir limites pela própria cabeça ou que precisam ser controladas por algum motivo -, como toda a regra ou lei, elas, as leis dos homens, são arbitrárias e, em determinadas circunstâncias, burras, inadequadas ou limitadas.

Quando estas leis infringem uma lei maior, como a do amor ou a dos domínios da Arte, é dificílimo para mim aceitá-las. Como no caso do personagem Marquês de Sade do filme, que passou tudo o que passou, chegando a ser assassinado pelas leis da época, porque acreditava na própria literatura, "obscena", transgressora para os valores de então, e que hoje é perfeitamente aceita pela sociedade.

Ou como no caso de Oscar Wilde, que foi preso e teve sua vida esculhambada, sofreu humilhações, tendo até que trocar de nome, em função de ter assumido sua homossexualidade, chegando a morrer alguns anos mais tarde, em conseqüência de tudo o que enfrentou. Basicamente porque ousou questionar a lei e os valores dos homens e seguir, na vida privada, o próprio nariz, uma opção sexual que hoje é reconhecida como um direito dos seres humanos.

Ou como naqueles casos em que acontecia de a criança estar sendo criada pelo pai ou por uma outra pessoa, com muito amor, com atenção, com respeito, e com educação adequada, mas a lei dizia que a guarda deveria ser da mãe. A mãe que não valia "um ovo", que não tinha a menor condição de amar e criar uma criança. Sim, porque ao contrário do imaginário popular, nem toda a mulher nasce para ser mãe. Nem toda mulher, quando engravida, incorpora ou adquire o instinto e as qualidades adequadas para a tarefa, as qualidades atribuídas e propagadas pela sociedade nas propagandas de tv. As mães têm toda a gama de sentimentos ruins de um ser humano como qualquer outro, têm falhas, raiva, sonhos, falta de paciência, inseguranças e muitas vezes não queriam, nem planejaram , a gravidez.

Uma vez eu escrevi um texto falando destas mães na cadeira de Produção Textual. A professora, que tem filhos, me deu "C". Foi o único, dos nove ou doze textos meus da cadeira, em que não tirei "A" ou "B", por que será?!

Quando eu peguei o texto de volta, comecei a rir por dentro. O que mais eu poderia fazer diante de uma limitação destas - diante de uma professora universitária de Letras, de uma das melhores faculdades do país, que não conseguia se abstrair de seus valores na hora de avaliar a qualidade estrutural de um texto de um aluno? Rir, como o Marquês de Sade ria, quando tentavam calá-lo. Depois confesso que me arrependi. Deveria ter questionado a posição dela. Eu não costumava entrar em atrito, simplesmente continuava seguindo o meu nariz.

Talvez agora, depois deste texto, seja mais fácil para algumas pessoas entenderem minha posição e minhas atitudes ao longo dos anos. Não espero mais dos homens do que o que eles têm condições de realizar, quando impulsionados por motivos verdadeiros. Mas acredito que muitos deles não sabem bem a medida do que podem realizar, porque não deixam a razão dar lugar à intuição.

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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Dançar ou não dançar, eis a questão

Se William Shakespeare tivesse vivido no Rio Grande do Sul, é muito provável que o grande dilema de Hamlet fosse este: dançar ou não dançar.

Brincadeiras à parte, o assunto que quero começar a questionar hoje já vem incomodando esta criatura que vos escreve há alguns anos, como aquele fio de cabelo perdido que a gente não consegue identificar e tampouco esquecer, porque fica ali pinicando, coçando, inquietando.

Tenho pensado, cada vez com mais intensidade, que a população brasileira se divide em dois tipos de seres: os que dançam e os que não dançam.

Poderia arriscar dizer a humanidade ocidental divide-se, mas prefiro me ater ao que reconheço como minha cultura - a brasileira. Em especial comparação com a cultura gaúcha, que também reconheço como minha.

Como alguns aqui sabem, não tenho televisão em casa, mas eventualmente acontece de eu estar em casa de pessoas normais e poder acompanhar um programa. Hoje foi um desses casos.

O programa em questão era a reapresentação de um dos shows da Edição 2006 do Unimúsica, Projeto de Extensão da UFRGS, gravado pela TVE do Rio Grande do Sul, no Salão de Atos da UFRGS, em 09 de novembro de 2006.

Para quem não conhece ou não é de Porto Alegre, as edições do Unicultura costumam ser anuais, temáticas e mostrar, no formato de shows, trabalhos de artistas diversos, daqui do Sul e de outros lugares do Brasil.

Este show foi um pouco diferenciado dos demais do projeto em três aspectos: reuniu ao mesmo tempo e no mesmo palco um grande número de artistas, locais e de fora do Estado; intercalou, excepcionalmente, a execução das canções com sessões comentadas; e tentou evocar na platéia o espírito dos antigos bailes de carnaval.

O repertório era, portanto, basicamente formado por marchinhas clássicas dos carnavais dos anos 30, 40 e 50, e que perduraram, até pouco tempo atrás, nos bailes dos clubes das cidades.

Pois bem, eu assisti este show, como assisti diversos shows, alguns carnavais e micaretas no nordeste do Brasil, além de carnavais interioranos aqui no Estado mesmo. Acompanhei de perto tudo o que a mera transmissão televisiva não consegue abarcar e transmitir.

No caso deste show do Unicultura, os músicos encheram o espaço físico do palco com seus instrumentos, juntamente com os três cantores, Jussara Silveira, mineira de nascimento e baiana de coração, Monica Tomasi e Nelson Coelho de Castro, o branco mais preto de Porto Alegre - parodiando novamente a frase de Vinícius de Moraes.

No canto esquerdo do palco, completando o espaço, havia uma mesa com cadeiras e garrafas, numa alusão às mesas de bar, onde estavam sentados Arthur de Faria e Juarez Fonseca, os comentaristas, dois relevantes pensadores gaúchos da música brasileira, simpaticamente trajados com ternos brancos.

Ao longo do tempo, não sei se por saudades dos bailes, se por saudades do carnaval (era novembro) ou se por empolgação em função das próprias marchas, o público começou a participar intensamente dançando de pé nos corredores e espaços livres e chegando a subir meio eufórico ao palco, para dançar um tanto atrapalhado a última canção. A sensação que se tinha era de espíritos aprisionados em corpos que não pertenciam a eles e dos quais tentavam se libertar, desajeitadamente, sem muita ondulação nos movimentos, sem um encadeamento macio e harmonioso entre um gesto e outro. Claro que havia excessões - como em todo grande grupo.

O que pude constatar, mais uma vez, é que parece que os gaúchos, em grande parte e em maior quantidade do que em outros Brasis, crescem com um certo policiamento cerebral do corpo. E isto me parece ser antes um condicionamento oriundo de séculos de construção cultural do que uma herança genética em função da influência alemã, italiana ou indígena.

Não é à toa que o rock mais tradicional é cultuado ainda com muita força por estas plagas, ao contrário do que ocorre em outras regiões do Brasil. É um ritmo que dispensa completamente a ginga. Basta pular e balançar rigidamente o corpo em dois sentidos diametralmente opostos para dançá-lo dentro dos padrões sem destoar do grupo. E sendo assim, é conseqüentemente mais fácil de ser aprendido e executado em público, pelo mais tímido adolescente de qualquer parte do Estado, com ou sem o auxílio de bebida alcoólica.

No palco do Unicultura, o que se via eram cinco pessoas livres de instrumentos musicais oscilando constantemente entre manter a compostura ou sair movendo o corpo como sentisse vontade. Porque a marcha dá vontade de mexer o corpo. Ela é uma marcha - é feita para incitar o movimento. Mesmo quem diz não gostar definitivamente de carnaval, como o Arthur de Faria, ficava balançando as pernas, como se elas tivessem vida independente do resto do corpo. Isto acontecia também na platéia.

E acontece em diversos lugares e festas sulinas.

Até que chega um momento da noite em que as pessoas começam a beber excessivamente, o que não podia acontecer no caso do show. E quando Dionísio finalmente toma conta do cérebro, as porteiras culturais desta massa cinzenta se abrem e o corpo começa sua festa, atrapalhado, fora de forma, muitas vezes sem a intimidade necessária com o ritmo, mas se liberta.

A minha teoria é a seguinte: todo mundo que não tenha alguma limitação física grave demais, tem condições de dançar ou gosta de dançar. Só que há os que sabem, ou que se permitem, e os que não sabem, ou não se permitem. O que acontece é que o ato de dançar prende-se a conceitos socialmente muito limitado, diria até controlados. As pessoas não dançam como têm vontade, desencanadamente. Elas sabem que estão sendo observadas e julgadas pelos que não dançam e mesmo pelos que estão na pista, principalmente aqui no Sul.
Entretanto, dançar, na realidade, é basicamente mover o corpo ao ritmo de uma música de forma prazeirosa e/ou ritualística. A dança da qual estou falando (o ato de dançar) é aquela celebrativa, expressiva ou simplesmente catártica. Não é à dança como forma de Arte que me refiro, a estudada, a acadêmica ou profissional, mas simplesmente a dança como forma de catarse, de expressão - de comunicação, ou de comunhão.

Sendo assim, dentro da categoria dos que não sabem dançar eu colocaria:

- quem não se sente dentro das convenções do momento (os que não sabem dançar a dança da moda ou do grupo);

- quem não se sente confortável com o movimento do próprio corpo em público (foi inibido ou tolhido ao longo da vida pela própria família ou círculo social, que diziam que ele não sabia dançar, que ficavam rindo dele ou algo semelhante);

- quem sofreu, ou cresceu em contato com, alguma repressão religiosa, católica ou não;

- quem não se sente moral ou culturalmente liberado para mover seu corpo dentro deste contexto, o da dança (quem não consegue soltar o corpo para movimentá-lo de acordo com o que sente ouvindo a música ou conviveu somente com pessoas que não sabiam fazê-lo);

- quem aprendeu que atividades intelectuais (cerebrais) não são condizentes com atividades físicas (dança), etc.

Dentro da categoria dos que sabem:

- os que não sofreram nenhum tipo de influência negativa ou repressiva acerca do corpo ou conseguiram superá-las;

- os que tiveram contato com familiares ou pessoas que gostavam e incentivavam a dança ou que não reprimiam o movimento corporal;

- os que já têm desde pequenos natural pendência para a dança ou para o ritmo;

- os que vêm de culturas onde a ginga do corpo não é considerada tabu.

Há ainda a categoria dos que sabem dançar ou poderiam fazê-lo, mas preferem ficar na sua, tranqüilos, como parece ser o caso de alguns violeiros de raiz ou sertanejos.

O que para mim é mais difícil aceitar, o que eu não consigo assimilar, é que haja quem diz que não gosta, mas quando bebe, faz e gosta.

No nordeste do Brasil existem alguns facilitadores da liberação do movimento do corpo, entre os quais estão os seguintes: o carnaval é de rua; é com multidões; é sem muita ordenação geográfica; ninguém fica cuidando ninguém, nem censurando com o olhar; o corpo exposto faz parte do cotidiano das pessoas, não choca como no Sul; e os trios elétricos têm um poder sonoro de incrível sedução - a adrenalina sobe à cabeça com o ritmo da músicas e com a percussão.

Para quem nunca foi lá ou só viu pela televisão, eu digo que não dá para ficar parado muito tempo ao lado de um trio elétrico oficial. Logo você tem que sair dali, que é onde ficam dispostas as caixas de som. Os trios oficiais são os maiores que há. Cada um deles é enorme e com uma mega potência. A batida musical é tão cardíaca, acelera tanto a batida do coração, a pressão que sai das caixas de som é tão grande, tão física, que parece que vai arrebentar o peito, vai sufocar a gente.

A partir das minhas observações enquanto gaúcha, nascida no interior, depois de ter convivido com culturas brasileiras diferentes da sulina, depois de ter superado as minhas próprias limitações simplesmente pela imersão intensa e sem preconceito durante alguns anos em outras culturas rítmicas, eu constatei que a inflexibilidade e a resistência corporal à ginga, tão conhecida do povo gaúcho, talvez seja muito mais cerebral e ilusória mesmo do que física ou real.
Em todo caso, fica a dica: tente, tente, tente. Uma hora o corpo começa a ceder.
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grgsgrrgsgrsgs

Por que o blog não respeita a configuração que eu defino, heim, heim, heim?! Máquinas com excesso de personalidade... Catzo!
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A delicada poesia de Manoel de Barros

Mundo Pequeno
VII
Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas leituras não era a beleza das frases, mas a doença delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor, esse gosto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
- Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável, o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença, pode muito que você carregue para o resto da vida um certo gosto por nadas...
E se riu.
Você não é de bugre? - ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios, não anda em estradas -
Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas e os ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.


Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de agramática.
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Uma Didática da Invenção

VI

As coisas que não têm nome são mais pronunciadas por crianças.
_________________

VII
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz:

Eu escuto a cor dos passarinhos.

A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.

VIII

Um girassol se apropriou de Deus: foi em Van Gogh.
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XI
Adoecer de nós a Natureza:
- Botar aflição nas pedras
(Como fez Rodin)
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P.S.: Os poemas acima podem ser encontrados no Livro das Ignorãças, do poeta mato-grossense Manoel de Barros, Coleção Mestres da Literatura Brasileira e Portuguesa, publicado por Record/Altaya, edição de 1993.
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Balanço breve

Nesse semestre passado eu aprendi mais a meu respeito do que nos últimos três ou quatro anos. E aprendi, principalmente, a me desvencilhar dos meus antolhos imaginários e a parar de alimentar situações hipotéticas em confortável substituição às rédeas dos meus próprios desejos e necessidades. Foi bom, foi muito bom! Difícil, insuportável em alguns momentos! Mas valeu a pena, no final das contas!
Há quem pense que estou me expondo demais ao escrever isto. Mas eu sei que, dentro da minha forma de ser, cada palavra dita, cada enfrentamento é uma palavra a mais que se reformula e adquire novo sentido. Ao assumir seus significados atuais, eu permito que ela morra, para renascer em seguida. E com o seu renascimento eu me reconstruo e me reorganizo.
A todos que, de uma forma ou de outra, me ajudaram no percurso, fica aqui o meu profundo agradecimento!
O agradecimento, mais que o próprio significado da palavra ou do que sua função, é para mim um mantra. Quando pronuncio estas oito - ou treze - letrinhas para alguém, elas levam agregadas uma bagagem de afago e de boas energias.
Obrigada, queridos!
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Ô som bom de cantar, Siô!

My Favorite Things
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Raindrops on roses and whiskers on kittens
Bright copper kettles and warm woolen mittens
Brown paper packages tied up with strings
These are a few of my favorite things
.
Cream colored ponies and crisp apple strudels
Door bells and sleigh bells and schnitzel with noodles
Wild geese that fly with the moon on their wings
These are a few of my favorite things
.
Girls in white dresses with blue satin sashes
Snowflakes that stay on my nose and eyelashes
Silver white winters that melt into Springs
These are a few of my favorite things
.
When the dog bites
When the bee stings
When I'm feeling sad
I simply remember my favorite things
And then I don't feel so bad
.
Raindrops on roses and whiskers on kittens
Bright copper kettles and warm woolen mittens
Brown paper packages tied up with strings
These are a few of my favorite things
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Cream colored ponies and crisp apple strudels
Door bells and sleigh bells and schnitzel with noodles
Wild geese that fly with the moon on their wings
These are a few of my favorite things
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Girls in white dresses with blue satin sashes
Snowflakes that stay on my nose and eyelashes
Silver white winters that melt into Springs
These are a few of my favorite things
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When the dog bites
When the bee stings
When I'm feeling sad
I simply remember my favorite things
And then I don't feel so bad
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Esta letra parece bobinha, não é?! Entretanto, só em cantá-la, a freqüência já muda. Tá duvidando? Então, tenta!
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E não, eu não estou tendo uma crise de Pollyanna!
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