domingo, 22 de março de 2009

Bairrismo

Eu amo Porto Alegre!
Andava meio esquecida do teor deste amor e de tudo o que me fazia gostar tanto daqui, mas nos últimos tempos eu tive o prazer de (re)lembrar alguns porquês. Esta cidade é muito linda mesmo!
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sábado, 21 de março de 2009

Fina sintonia

O bom de morar em Porto Alegre é que se você não combinar, não encontra as pessoas.
O ruim de morar em Porto Alegre é que se você não combinar, não encontra as pessoas.
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quarta-feira, 18 de março de 2009

Cotidiano

Tem dias que a gente espreme, espreme o cérebro e não sai nada. Em outros, parece que jorra.
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domingo, 15 de março de 2009

A Novidade

A novidade é a seguinte: de hoje em diante vou começar a postar aqui, eventualmente, textos de outras pessoas.
O primeiro deles é de Marcos Sosa, uma resenha do CD Percussìvé, do compositor e violonista gaúcho Felipe Azevedo.
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Felipe Azevedo: mãos no ritmo e cabeça na canção

por Marcos Sosa

Franqueza musical, eis um valor decisivo à composição. Presente nas melhores pautas, das clássicas às contemporâneas, exige do compositor um plano de referências amplo e consistente à aplicação da técnica, equilibrado à inventividade que a cada artista é dada cumprir.
À audição de Percussìvé, mais recente álbum de Felipe Azevedo, talvez sejam estas as linhas gerais trazidas a qualquer comentário de causas e efeitos de sua canção.



Violonista que pensa o instrumento com franqueza de pesquisador e alma de artista, faz das seis cordas uma pátria cheia de segredos. Dessa junção, duas inferências correm lado a lado: uma que se liga ao conhecimento detalhado das raízes do ritmo brasileiro, em que o violão interpreta os melhores compassos formadores de tradições, e outra que redunda na invenção melódica com os dois pés no contraponto. O resultado, por sua vez, tem mais de desacomodação e menos de repouso.
Trata-se, porém, de uma desacomodação criadora, lúcida, num alto sentido e valor, que passa por uma experimentação por vezes de resultados inusitados, noutros momentos curiosa, compondo um painel delicado e descolado, detalhado e auto-sustentado, em que a exploração desta pátria cheia de segredos traz uma vivacidade de grande preparo à palavra.
E a palavra de Percussìvé é plena, miscigenada, brasileiríssima. Maracatu torto, Balaio de cordas e Balanço tupiniquim (as duas últimas com a participação de Marcos Suzano), por exemplo, parecem cruzar as pontas norte e sul, acenando para um conhecimento de brasilidade que por vezes se esquece de acontecer, no isolacionismo de cada uma de nossas ilhas culturais. Tema para um compasso de espera, na voz de Mônica Salmaso, trata com carinho da paixão como promessa, virtude e loucura. Já Norato Ciber Cobra e Canibalismoderno referem com naturalidade questões contemporâneas como o avanço da tecnologia e da genética, com certo humor doce e antropofagia inusitada. São 14 faixas mais duas vinhetas, para revelar um país continental onde as diferenças não passam de uma brincadeira inocente.
É de se notar, também, que Percussìvé vem sublinhado com um segundo elemento ao título: "a prece do louva-a-deus". À abertura do encarte, fazendo as vezes de dicionarista, Felipe define o inseto como melhor lhe cabe dizer, trazendo Guimarães Rosa, Tarsila do Amaral, e mais um punhado de reflexões pessoais, dentre as quais uma parece definidora: "Imagino suas patas dianteiras tamborilando as cordas de um violão". O louva-a-deus, "imóvel a espiar os arredores da vida no seu habitat", traduz, enfim, a verve de um compositor dedicado, gaúcho mas não só, com as mãos no ritmo brasileiro e a cabeça na canção.

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Marcos Sosa é professor. O texto Felipe Azevedo: mãos no ritmo e cabeça na canção foi publicado em 20 de setembro de 2008, no site Portfolio.
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sábado, 14 de março de 2009

Deus te vê

Não, esta ainda não é a novidade que está fermentando aqui nos bastidores do blog.

Estava lendo a coluna do Fischer, no Pesqueiro de hoje sobre a influência do pensamento católico na literatura e na formação do povo brasileiro e gaúcho.

Também tive minha cota de respingo católico. Fui criada por pais que não eram examente exemplos de católico praticante. Minha mãe sofreu influência, por ter estudado como interna em colégio de freiras e através de minha avó que, apesar de italiana, era discreta - daquelas que têm fé mas não ficam apregoando aos quatro cantos do mundo.

Meu pai sofreu influência da parte carola da família dele (polonesa), mas se opunha radicalmente, chegando a, em determinada época da vida, se recusar a ir em solenidades como batizado, comunhão.

Eu estudei em colégio luterano (dos luteranos da Alemanha, não dos Estados Unidos), mas não era ligada nestas questões, me interessando muito mais pela parte cultural e pela esportiva mesmo. Por essas e outras, me criei achando que não havia sofrido influência religiosa.

Doce ilusão em um país como o nosso.

O catolicismo perpassa a criação das pessoas como o perfume que ultrapassa as paredes da casa ecoando pelos corredores e arredores. Não tem como passar ilesa. Tem sempre alguém ou algum programa ou algum parente ou amigo, vizinho, enfim, alguém que vai te contaminar e quando tu vê, o vírus se manifesta.

Quanto ao episódio, quem sabe outra hora em conto. Já faz alguns anos que aconteceu, não foi nada muito absurdo ou que valha a pena comentar, mas foi o suficiente para eu perceber que não tinha escapado da influência negativa da Igreja. E constatar que eu não escapara me deixou bastante perplexa e frustrada. E isso, sim, é relevante comentar. Eu que me achava tão independente em relação às questões religiosas.

Outro dia minha mãe contou que quando elas iam no banheiro lá no internato de freiras, em Passo Fundo, havia um cartaz escrito:

DEUS TE VÊ.

Que absurdo! Depois não querem que a mulherada sofra de prisão de ventre. Gerações inteiras usando o vaso sanitário, tomando banho, escovando os dentes com "Deus" perseguindo elas até nas horas mais íntimas. E claro que se a mãe tem prisão de ventre, a filha, que acompanha diariamente o sofrimento da mãe, vai ficar com medo de ter prisão de ventre e vai desenvolvê-la, por consequência. E dale produto farmacêutico para desentupir Deus da cabeça das pessoas. Podiam inventar uma pílula contra dogmas.

Minha mãe, no que diz respeito a alguns pontos e por contar com o apoio dos pais dela, que tinham espiritualidade, mas eram bastante críticos e independentes de cabeça, conseguiu se livrar pelo menos desta seqüela da influência "divina". Meu intestino agradece!

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P.S.: eu sei que é dá-lhe, mas gosto mais de dale mesmo.

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quinta-feira, 12 de março de 2009

Em breve...

uma novidade por aqui. Aguardem!
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quinta-feira, 5 de março de 2009

O espaço físico, o espaço virtual e a interferência deles nas relações sociais

No princípio eram as ágoras, as praças dos tempos da Grécia antiga, com suas áreas físicas amplas onde as pessoas falavam para uma quase multidão aglomerada em espaços comuns, em pleno contato físico.
Assim transcorreram séculos.
Depois surgiram as praças das cidades, não tão amplas, muitas vezes, mas ainda a céu aberto e estimulando o contato físico.
Trancorrido mais um período, não tão longo, apareceu o rádio, com a possibilidade de atingir pessoas a uma distância maior que a da voz, com um som mais potente saindo dos postes e das casas. Era o início do século XX. As pessoas ainda se concentravam nos espaços públicos ou em grandes salões para ouvir a transmissão sonora. Havia a proximidade física, o olho no olho.
Então veio a televisão, em meados do século XX, com sua tela que facilitava a compreensão da mensagem, sem exigir tanta atenção auditiva, mas que necessitava de espaços menores, em função do tamanho das imagens. O contato físico permaneceu, mas as pessoas começaram a sentar lado a lado, sem o olho no olho, para não atrapalhar a recepção da mensagem televisiva. A conversa passou a segundo plano.
Depois dela, veio o computador aliado à internet, com o monitor individual, mas com um poder de alcance que desestabilizava, de forma quase definitiva, as barreiras geográficas, enquanto atingia um número muito maior de criaturas humanas. As pessoas emudeceram por completo e, tanto elas quanto o espaço físico, passaram a ser individualizados - cada um em seu canto com sua tela particular.
E por último, pelo menos até este momento, surgiu o blog, que não somente passou a atingir um número imenso de pessoas de forma individual e virtual, mas a divulgar a vida íntima, o que vai lá dentro de cada indivíduo. Cada criatura expondo seus textos, fazendo sua escrita, democratizando, digamos assim, não somente a divulgação desta escrita, mas a exposição da intimidade particular de quem posta - de quem publica.
Na mesma proporção que o homem foi segregando-se dos seus semelhantes e individualizando o espaço físico, ele foi aumentando, teoricamente, o poder de alcancer de suas idéias. Teoricamente, porque o excesso de textos na internet está, cada vez mais, pulverizando o público leitor.
Quanto mais longe o ser humano tende a chegar para atingir outros seres, mais ele se afasta dos outros no plano das relações sociais físicas e afetivas, pois quanto maior a quantidade de pessoas possivelmente atingidas, maiores os graus de individualismo e da virtualidade da relação desenvolvida. E maior a necessidade de se comunicar e de expor as suas particularidades, de chamar a atenção, de aproximar-se dos outros humanos, ainda que de forma ilusória, no mar de monólogos que circulam hoje pelo mundo.
Claro que estou generalizando na minha análise, que a internet não virtualiza tanto o contato, aproximando, muitas vezes, pessoas que jamais se conheceriam ou se encontraríam de outra forma, mas é uma possibilidade que pode vir a acontecer mesmo.
Isto é muito maluco!
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P.S.: o texto acima foi pensado e construído a partir da leitura do livro Blog: comunicação e escrita íntima na internet, de Denise Schittine, edição 2004, e do meu próprio trabalho e pesquisa sobre a(s) cidade(s) em Chico Buarque de Holanda.
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