domingo, 30 de novembro de 2008

Memórias de um passado recente

Esta semana tive uma surpresa que desencadeou emoções mistas de saudosismo e alívio, melancolia e reconhecimento de que mudanças são necessárias, de uma certa tristeza temperada com pitadas de alegria:

Elevador
(Kledir Ramil)
Esse elevador não vai
Além do sétimo e eu canto pra me consolar
Esse elevador não vai
Além de cores duvidosas e pouco reais
Esse elevador não vai
Além de números impressos brancos nos botões
Eu não
Nesse elevador não ponho o pé eu não
Pé eu não
Eu não
Nesse elevador não ponho o pé eu não
Esse elevador não vai
Além de plásticos artistas super siderais
Esse elevador não vai
Além de místicos dramáticos e teatrais
Esse elevador não vai
Além de músicos neuróticos sensacionais
Eu não
Nesse elevador não ponho o pé eu não
Pé eu não
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A canção acima é do disco Aqui, dos Almôndegas, de 1975. Qualquer semelhança com os elevadores do Instituto de Artes da UFRGS não é mera coincidência.
Para quem nunca esteve lá o IA é o prédio da UFRGS por onde circulam os estudantes da Música, do Teatro e das Artes Plásticas.
Pois então, os famosos e dramáticos elevadores estão sendo reformados. O da esquerda já foi completamente extirpado e já está com um novo modelo em operação. O outro ainda está em vias de.
Os dois elevadores já eram caquéticos em 1975, época em que devem ter inspirado a canção, e nós estamos em 2008. Sempre tive um certo medo de andar neles. Me lembravam aqueles dos filmes de suspense, mas em tamanho compacto. Quando tomava um deles ficava com a sensação de que a qualquer momento ou iriam despencar andar abaixo de repente ou iriam continuar subindo e romper prédio afora, como no elevador do filme original d'A Fantástica Fábrica de Chocolate, com o significativo detalhe de que eles não teriam a mínima condição de voar, como no filme, mas despencar em curva para alguma rua próxima. Vá saber por que eu sentia isso, se eles nem chegavam até o último andar.
Foi tão estranha a sensação de subir as escadas do saguão e encontrar o tapume das obras, olhar para aquela nova porta metálica e fria se abrindo higiênica e silenciosamente e constatar que eu nunca mais veria de novo os antigos elevadores. Era como ver um pedacinho de história indo embora.
Enfim, o tempo passa e a vida vai se adaptando.
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sábado, 29 de novembro de 2008

Queridos para sempre

Engraçado, certas pessoas voltam às nossas vidas depois de tempos e partem novamente para longe e, na realidade, parece que elas sempre estiveram aqui, como se nunca tivessem partido, como se nunca tivéssemos nos afastado. A vida é sempre tão generosa comigo....


PS.: Para o Lúcio, com um carinho cheirando a projetores de slides, Pluft, O Fantasminha e velhas fotografias. E para Aliana, que ficou em casa ajeitando o ninho.
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Acorde Brasileiro

É tão bom quando tu já esperas muito de uma coisa e ela ainda consegue te surpreeender para melhor...
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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Divagações a partir da Estética do Frio.

Obs: se você tem textos realmente relevantes para ler, e a gente sempre tem, não perca seu tempo aqui, que este ainda está muito prolixo.
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Estava relendo o ensaio A Estética do Frio, de Vitor Ramil, e me veio imediatamente à memória a minha experiência como "exilada" do Sul do Brasil. Na realidade, me reportei a uma situação específica que vivenciei, enquanto estava morando no litoral nordestino, lá por 1994. Eu tenho claro para mim que o movimento de me deslocar para viver em um outro Brasil, tropical, distante 3600km, com linguagens e hábitos tão diversos dos que me constituíam, tenha também suscitado em mim, assim como suscitou em Vitor Ramil, questões acerca da identidade cultural a ponto de eu voltar para o Sul bastante incomodada com elas e ir parar justamente no curso de Letras: a que catzo de Brasil pertenço eu, afinal de contas?! - era a pergunta que eu me fazia. Como não tenho o talento de um Vitor, nem tinha clareza da dimensão exata do que me incomodava, fiquei guardando as minhas caraminholas.
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Acho relevante dizer que gosto muitíssimo destes outros Brasis que nos constituem, e, ao contrário de boa parte dos gaúchos, não tenho a menor dificuldade em sair atrás do Trio Elétrico, em dançar axé e forró com bastante desenvoltura, se considerarmos as limitações características da identidade sulina de forte influência européia, enformada pela rigidez física das danças tradicionalistas propagadas através dos CTGs. E nem tenho dificuldades em me deliciar com todo aquele universo nordestino - trecho territorial com o qual tive mais contato.
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Eu morei em Aracaju - Sergipe - e, na época, aquela cidade tinha condições geográficas anuais bastante constantes: anoitecia entre 17:30 e 18:30 horas, amanhecia entre 4:30 e 5:30 horas, havia sempre um vento gostoso, a temperatura - agradável - sofria poucas variações, chovia no inverno, quase não chovia no verão, a temperatura do mar era morna o ano todo. A paisagem litorânea é que era relativamente sem graça em relação ao resto do Estado pois, apesar dos inúmeros coqueiros, a região pegava uma confluência de águas de rio (o rio do Sargento Getúlio, de João Ubaldo Ribeiro) com mar, e os moradores diziam que ela provocava o deslocamento da areia, mais fina naquela região, deixando a água com um aspecto marrom semelhante à do nosso mar, o que negava àquelas praias citadinas uma boa parte do vigor exuberante característico do litoral brasileiro. Mas descendo ou subindo alguns quilômetros, já estávamos nos mares paradisíacos das revistas de turismo.
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Bom, vamos ao fato: uma bela noite, estava eu em frente à televisão depois de já estar bem adaptada à região, em trajes leves, quando o Jornal Nacional anuncia a chegada do inverno no Sul do Brasil, mostrando as imagens. Campos cobertos de geada, gente de poncho, gorros, luvas e casacões, rostos pálidos e movimentos encarangados, aquela coisa toda que conhecemos tão bem.
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A minha reação não foi a mesma do Vitor, de pertencimento e reconhecimento; de reconhecimento sim, mas um reconhecimento permeado por um forte assombro, talvez porque o Rio de Janeiro, onde ele morou, tenha uma temperatura mais próxima do outono gaúcho - lembro de já ter pego 15 graus de temperatura na Cidade Maravilhosa, coisa impensada lá pra cima.
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Quando vi as imagens na TV, imediatamente me reportei àquele universo, senti aquele frio cortante, a situação toda, mas pensei:
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Caramba! Como é que a gente agüenta?!
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A questão crucial que veio para ele, de se identificar com aquele frio metereológico, não foi pra mim uma reação de pertencimento, naquele momento específico. O frio aqui no Sul é muito duro! Não temos infra-estrutura adequada, como a Europa tem, para enfrentá-lo quando ele vem com intensidade. Nos dias de hoje, em função das mudanças climáticas, ele já não ocorre quase, mas há duas décadas atrás quando morei lá as quatro estações ainda eram definidas.
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Há um certo sentimento romântico em relação ao frio sulino. No Rio Grande do Sul, se uma pessoa não tiver o mínimo de infra-estrutura (abrigo fechado, agasalho adequado, comida calórica ou "um trago" bem forte, no caso dos moradores de rua), elas morrem - senão de frio, de doenças respiratórias ou de tanto beber. Já em Aracaju, se as pessoas não tivessem dinheiro para comprar roupa, tudo bem, não há frio mesmo e se ela fosse lavada de manhã, de meio-dia já estava seca.
Em relação à comida, as pessoas tinham o mar e o rio, muita fruta substanciosa e barata, farinha de mandioca (que lá é diversificada e deliciosa) e caranguejo no mangue.
Em relação à moradia, nunca me esqueço de umas casas localizadas na vila de pescadores da Barra do Coqueiros, do outro lado do rio em frente à cidade, que tinham os telhados de laterais completamente abertas e cujos os móveis eram construídos no próprio concreto das casas. Nós acordávamos com os macacos da ilha nos olhando, empoleirados nas vigas. Na realidade, eu é que achava a Barra com cara de ilha, mas ela tem conexão com a terra no lado norte. Naquelas casas, bastava um colchão, a geladeira, o fogão e umas almofadas para se viver.
Em relação a tempestades, a região onde morei também não sofria com grandes ventanias nem temporais medonhos que nem aqui, nem temperaturas baixas demais ou ventos que doem como agulhas fincadas na pele, como quando sopra o Minuano. Os chuveiros da cidade não tinham a opção de "morno" nem nas casas mais abastadas, porque eles não têm, ainda hoje, o hábito de mudar a temperatura da água. Eles também quase não tinham venezianas nas casas e edifícios. Ou eram janelas de vidro com cortinas ou eram de madeira inteira.

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Em grande parte, as minhas percepções permeavam as mesmas descritas no texto de Vitor Ramil:

"E me dei conta de que o frio simbolizava o Rio Grande do Sul. Passei a ver o frio como metáfora amplamente definidora do gaúcho.
Esta idéia foi-se enchendo de sentido na medida em que, morando no Rio de Janeiro e viajando constantemente pelo Brasil, passei a sentir o clima tropical – a regularidade de um clima de mudanças tão discretas entre as estações; o calor; a presença constante e vital do sol, do mar e dos rios – como um grande pano de fundo onde se repetiam certas características que pareciam unificar o modo de ser dos brasileiros em sua diversidade. Deparei-me em muitos lugares – e lugares distantes entre si – com um mundo de valores, de hábitos, de gostos e anseios compartilhados que para mim não tinham a mesma significação. Mais objetivamente, vivenciei a expansividade, o excesso, o emocional, o gosto pelas ruas, pela diversão, pela alegria, pelo culto ao corpo, pela dança, pelo ritmo, pelo colorido, pela espontaneidade, pelo caos, pelo múltiplo, pelo variado, pelo eclético, etc." (trecho de Estética do Frio)

Eu reconheci a minha experiência e as minhas percepções no que para ele foi "viver em um clima tropical", tanto no que diz respeito às mudanças tão discretas, quanto no que diz respeito à expansividade, ao excesso, ao emocional, ao gosto pelas ruas e tudo aquilo.

Entretanto o meu exílio foi um outro, mas que desencadeou o mesmo sentimento de "frio" que deu origem à Estética:

Sempre tive uma relação dúbia com o frio sulino. Se por um lado eu sofria com a falta de infra-estrutura adequada, por outro lado gostava demais do universo todo que ele compõe, do pinhão na chapa do fogão a lenha, dos cheiros, do café saboroso (o hábito do chimarrão, eu adquiri em Aracaju - é, pois é) do vinho, dos momentos todos em volta da mesa, das comidas diversificadas e a mesa farta, das roupas elegantes e aconchegantes, de dormir embaixo das cobertas, do vento gelado no rosto, da melancolia das praias no inverno, do barro vermelho do Alto Uruguai nos sapatos e a fumaça das chaminés das casas.


O meu Rio Grande do Sul não era o do pampa, mas o da metade norte, da serra para cima, até o Alto Uruguai e Planalto Médio. Lá não tem reta, mas montanhas, morros e coxilhas. Lá não tem campo, mas plantações de milho, trigo e soja, mato verde e barro vermelho. E no caminho de quem segue para o noroeste tem rios de corredeiras, riachos, pinheiros e muito morro.

Mas o sentimento de um "frio" simbólico, invocado pela imagem da solidão e melancolia da vastidão horizontal do pampa que o Ian descreveu tão bem e reforçou como referência para a construção da Estética do Frio de Vitor Ramil, naquele sim, eu me reconheço.

Ian Alexander (que é australiano, portanto um estrangeiro) apresentou uma análise a partir da Estética do Frio de Vitor Ramil tendo com referência esta percepção simbólica de "frio" elaborada a partir da figura de um ser construído - o gaúcho introspectivo e solitário do pampa -figura referencial para Vitor Ramil na construção da Estética do Frio, mas ilusória enquanto inexistente para além do imaginário do compositor e autor. Inexistente porque, na análise de Ian, este parte do pressuposto de que Vitor Ramil é um homem urbano, nascido e criado em Pelotas, logo não teria vivenciado as lides do gaúcho pampeano, este que povoa e centraliza o imaginário da identidade gaúcha.
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Observando Ian falar, eu enxerguei claramente o motivo que me fez querer voltar de Aracaju para o Sul cheia de saudades e com uma sensação de não-pertencimento. O meu exílio foi permeado pela ausência dos contrastes existentes aqui no Sul nos quais eu me reconheço e os quais eu não consegui identificar no Nordeste. Não era tanto pelo aspecto do frio, mas pela ausência do contraste entre frio e calor, entre paisagens tão distintas como o pampa, o litoral, a serra, o planalto, a região metropolitana, a fronteira. O Rio Grande do Sul é muito diversificado dentro dele mesmo, é um microuniverso dentro de um macrouniverso chamado Brasil, embora seja recorrente uma tentativa muito forte de propagar a idéia de uma identidade única e mítica, e, neste caso, não estou me referindo ao ensaio de Vitor Ramil. O território gaúcho tem regiões, culturas, identidades, formas artísticas, temperaturas, comidas, modos de viver e linguagens notadamente diferentes entre si. E tudo dentro de um mesmo Estado que pode ser atravessado em, sei lá, 15 horas. A diversidade não está, a meu ver, na relação com o Brasil, como parece constar na Estética do Frio. Ela já é forte o bastante dentro do próprio Rio Grande do Sul.
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No litoral nordestino, em 15 horas eu teria passado por quase cinco estados de tamanho mediano para pequeno, sem grandes variações climáticas e morfológicas perceptíveis, sem grandes variações linguísticas e culturais visíveis "a olho cru", sem grandes contrastes de vestuário, onde predominaria o forró (inverno) e o axé (verão). A pouca incidência de bebidas quentes, que não apetecem por lá, a constante superexposição do corpo, que não deixa a pele descansar para se refazer, toda esta falta dos contrastes nos quais eu me reconhecia, ela é que desancadeou meu sentimento de exílio: estar apartada desta diversidade singular e concentrada que eu tinha no Sul.
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Naquela época eu ainda não percebia a série de detalhes e riquezas no Nordeste que aparecem descritas por Vitor Ramil quando ele se refere a caos, múltiplo, variado e eclético, a diversidade que hoje provavelmente meu olhar captaria, mas eu já tinha a percepção da diversidade na cultura gaúcha, então ela devia ser, sim, mais perceptível que a lá de cima.
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Mas uma curiosidade boba, mas que me chamou a atenção na época e que não tem a ver com o texto da Estética do Frio foi a necessidade de viver em ciclo que eles têm, ainda que em um ciclo mais suave que o nosso. Eu achava que isso era uma característica nossa imposta pela vinda do frio e suas consequências, mas percebi que os sergipanos reagem aos ciclos da natureza de forma parecida com a nossa. No outono, os moradores locais ficam mais introspectivos, circulam menos, procuram-se menos, diminuem o ritmo dos exercícios físicos, freqüentam a praia para confraternizar, não para tomar banho ou pegar sol, mas não há, mesmo assim, como escapar de dourar a pele. Então quando vem a primavera, como aqui no Sul, eles saem para as ruas empolgadíssimos, cheios de energia, malham, se encontram, namoram. Depois vem o verão com seu carnaval eterno e enlouquecido e, no outono, o pico de energia é reduzido novamente. Claro que com contrastes bem mais tênues que os daqui, mas é curioso observar este lado "biológico" do ser humano em um território tão tropical quanto o deles que supostamente não necessitaria desse resguardo.
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Outra diferença está nas relações afetivas: aqui no Sul, há uma certa rigidez de limites definido entre as pessoas. É mais difícil alguém chegar na casa do outro para visitar, dormir ou tomar banho e ir entrando sem receber um convite ou sem avisar antes. No Nordeste eles não cultivam aparentemente essas formalidades que nós cultivamos. Pelo menos entre pessoas de faixas econômicas próximas.
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Finalizando as reflexões iniciais, comungo com as idéias do ensaio em vários aspectos, mas discordo de alguns pequeninos pontos, como na percepção do pampa em oposição aos morros cariocas. Os morros e montanhas são parte considerável já no próprio cenário gaúcho, na medida em que neles está concentrada boa parte da população e da diversidade cultural. Ignorá-los é reduzir bastante a diversidade local, reforçando o mito do gaúcho da identidade única. A multiplicidade referida no texto parece ser a existente no Estado e não somente a dos demais territórios brasileiros. E é curioso que um povo tão permeado pela contenção e concisão na expressão das emoções seja paradoxalmente exagerado na forma, no hiperbolismo das falas, dos tons, dos gestos - o grotesco e o sutil que aparecem na Estética.
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Outra coisa, se como relata o Vitor em sua busca pela forma ideal pra expressar o sentimento de frio "a milonga era feita da mesma matéria de que era feita a imagem do gaúcho e do pampa" ela não estaria, de certa forma, reforçando o mito do gaúcho?
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Quanto à nossa formação identitária, para mim não há mesmo como negar: nascer e viver no Rio Grande do Sul é compartilhar de uma identidade singular em relação aos tantos brasileiros que habitam o Brasil, pelo menos no que diz respeito à região litorânea do país.
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Acorde, Brasileiro!

Semana que vem tem a 2ª Edição do Acorde Brasileiro. Parece que foi ontem que acabou o primeiro...
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domingo, 16 de novembro de 2008

Tanto e tão pouco tempo

MEU DEUS COMO TEM MÚSICA LINDA NO MUNDO! - e isso que eu não conheço quase nada do existe!
Nós deveríamos vir para a Terra com alguns avatares. Um viveria voltado para a música, outro para a literatura, outro furungaria na história, outro nas artes, outro na psicanálise, na sociologia...
É bom sonhar! E não custa dinheiro, por enquanto...
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sábado, 15 de novembro de 2008

Música para chorar: lágrimas de assustadora alegria

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Quando acontece de uma música me fazer chorar, nem sempre isto acontece porque estou triste ou melancólica. Às vezes ocorre de realmente coincidir com algum momento mais introspectivo, como este de agora, mas independentemente disso a música tem este poder: o de me emocionar simplesmente por ser linda demais ou por ser uma execução mais delicada.
É o caso das que escolho para colocar aqui no blog, na minha série Música para chorar.
Não sei explicar que poder elas têm ou se são momentos em que estou mais receptiva para captar toda a beleza, não sei se é a freqüência sonora delas que me afeta mais do que as de outras. O que sei é que, às vezes, chega a doer aqui dentro, de tão lindas que elas soam.
Você não deve estar achando nada disso, não é mesmo? Tudo bem, os caminhos musicais de cada um são mesmo subjetivos.
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PS.: para acessar o vídeo direto no youtube, o endereço é: http://www.youtube.com/watch?v=sODQHhkj_YQ&feature=related
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