As coisas quase sempre não são o que parecem - é o tal do pré-conceito. Por isso que eu gosto sempre de ir conferir. Acho que por ter convivido muito tempo com pessoas de universos diversos, que me mostravam a todo momento que as coisas não eram exatamente como as pessoas, ou a maioria delas, propagavam. Essa convivência me permitiu desconstruir alguns preconceitos e valores. Contraditoriamente, as mesmas pessoas que me levaram a conhecer essa diversidade de universos e a desconstruir preconceitos também me obrigavam a conviver com concepções dogmáticas e sectárias de mundo. Em função desta salada de experiências, adquiri uma certa precaução em relação a comportamentos preconceituosos, dogmáticos e sectários (nos últimos tempos, também em relação aos muito racionais), estes que engessam as coisas e que não permitem deslocar o olhar para tentar enxergar o mundo a partir do lugar de quem está falando. Compreendo a atitude das pessoas que são assim, mas não é exatamente a tribo com a qual eu me identifico. Não gosto de engessar meu olhar. Não gosto de engessar posições e visões de mundo. Eu só tenho acesso consciente a menos de 10% do meu cérebro. Não faço ideia do que os outros 90% escondem ou são capazes de realizar. Tudo o que se estudou e se descobriu acerca da humanidade fica tão pequeno diante destes 90%. Eu mesma fico tão pequena diante de tudo o que desconheço. Como vou afirmar algo de forma inflexível e absoluta a respeito do mundo, se o que vejo ou vivi restringe-se ao que a minha experiência de vida permite, sendo portanto parcial e limitada?! Se o que vejo ao longo da história são crenças e descobertas serem descontruídas umas após outras e os homens se movendo e tentando compreender as coisas tendo como referência um limite tão pequeno quanto estes 10% conhecidos do cérebro?!
É por essas e outras que já há algum tempo eu não considero mais que sou: eu somente estou.
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